Não creio (Reginaldo Prandi)
(...)
Você acredita no espiritismo?
Se tivesse de me declarar oficialmente, acho que teria de me declarar uma pessoa que não acredita em Deus.
Não acredita em Deus?
Não, porque eu tive uma experiência muito recente, que acho muito interessante.
(...)
2ª parte de entrevista dada à Folha de SPaulo:
[http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/1180086-leia-a-segunda-parte-da-entrevista-com-o-sociologo-reginaldo-prandi.shtml]
OBS: Reginaldo Prandi é sociólogo e autor do livro "Os vivos e os mortos" sobre o espiritismo.
retratos de memória, frases diversas, fotos, ilustrações, coisas sem importância alguma & variedades de todo o gênero
"Vem, Noite antiqüíssima e idêntica,
Noite Rainha nascida destronada,
Noite igual por dentro ao silêncio, Noite
Com as estrelas lantejoulas rápidas
No teu vestido franjado de Infinito. (...) "
[Álvaro de Campos (F. Pessoa), Fragmento de Ode I, in: "Fernando Pessoa: poesia", por Adolfo Casais Monteiro, 10ª ed., Rio de Janeiro, Agir, 1989, p. 76 (col. Nossos Clássicos)]
"(...) noites como esta, em que já não me será dado viver."
[Jostein Gaarder, "A garota das laranjas", Trad. Luiz Antônio de Araújo, São Paulo, Companhia das Letras, 2005, p. 127 (citação possivelmente de outrem, constante também em alguma página anterior, provavelmente)]
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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
Quanto mais religioso você é, menos age por compaixão (revista Superinteressante)
Quanto mais religioso você é, menos age por compaixão (revista Superinteressante)
As religiões pregam a compaixão com o próximo. Mas, na
prática, quem é religioso não liga muito para a compaixão. Isso foi constatado
por um estudo da Universidade de Berkeley, nos EUA, que analisou a vida e os
hábitos de 1337 pessoas adeptas de vários credos. As pessoas menos religiosas
se guiavam principalmente pela compaixão quando faziam algum ato de caridade –
como oferecer o assento do ônibus a um estranho, por exemplo. Já entre os mais
devotos, era diferente. “Os mais religiosos baseiam sua generosidade em outros
fatores, como a doutrina e a reputação ante os membros da comunidade”, diz o
sociólogo Robb Willer, autor do estudo.
A tese de Willer foi comprovada por outro estudo, em que 210
estudantes de diversas religiões, classes e etnias participaram de um jogo.
Cada um recebeu uma quantidade de pontos que poderiam ser trocados por
dinheiro. E decidia se compartilhava os pontos ou guardava para si. Resultado:
entre os menos devotos, a compaixão pesou muito nas atitudes em favor do grupo.
Já entre os devotos, a compaixão quase não influiu – eles sempre doavam valores
parecidos, independentemente dos sentimentos que tinham em relação aos demais
participantes.
[Revista Superinteressante, edição 309, setembro/2012, p. 49
- da matéria “25 coisas que estão escondendo de você” (pp. 46-55), por Eduardo
Szklarz, Bruno Garattoni, Jorge Oliveira, Carlo Giovani e Juliana Vidigal]
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Memória do que não aconteceu (Revista Superinteressante)
Memoria - Parte 3 - O que nunca aconteceu: Boa parte das suas lembranças é falsa. Jamais aconteceu. Não passa de mentiras inventadas pelo seu cérebro. Saiba por que lembrar é imaginar, e imaginar é distorcer
Gisela Blanco (Revista Superinteressante – abril/2009
No início dos anos 80, uma série de crimes chocou os EUA. Dezenas de mulheres começaram a relatar abusos sexuais sofridos na infância. Essas lembranças sempre afloravam no consultório de algum psicólogo, depois que as moças tinham passado por sessões de terapia com técnicas de hipnose e regressão. O FBI resolveu investigar o caso e descobriu que os abusos eram falsas memórias, que haviam sido acidentalmente induzidas por psicólogos durante sessões de hipnose. Além de acusar outras pessoas, a sua memória também pode se voltar contra você mesmo. Foi o caso do americano Paul Ingram, acusado de abuso sexual pelas filhas de 18 e 22 anos. Ele negou tudo. Mas, depois de ser indagado várias vezes sobre o assunto, começou a dizer que, sim, se recordava de ter estuprado as garotas. Aí o psicólogo Richard Ofshe, especializado em memórias falsas, resolveu testá-lo: elaborou uma série de incidentes fictícios, sobre os quais conversou com Ingram. Ele se lembrou de todos. Conclusão? Paul não estava lembrando, e sim imaginando, as cenas.
Mas nem é preciso de crimes ou sessões de hipnose para colocar nossas memórias em xeque. Imagine acordar certo dia e descobrir que parte das suas lembranças é pura imaginação. Isso porque a memória não é um registro da realidade - é uma interpretação construída pela mente. O nosso cérebro inventa o mundo, das cores que a gente vê às experiências que a gente vive. E edita essas informações antes de gravá-las, explica o psicólogo cognitivo Martin Conway, da Universidade de Leeds. Cientistas da Universidade Harvard pediram a voluntários que se lembrassem de uma festa em que tinham estado. Em seguida, eles deviam imaginar uma festa que ainda não havia acontecido. Os pesquisadores monitoraram as cobaias durante todo o experimento e descobriram que, nos dois exercícios, sua atividade cerebral foi praticamente a mesma. Ou seja: os mecanismos que usamos para acessar nossas memórias são os mesmos que usamos para imaginar as coisas. Uma pessoa pode ter lembranças erradas ao ler o que está gravado corretamente na sua memória, explica Daniel Schacter, psicólogo da Universidade Harvard e autor de vários livros sobre memória.
Todos nós temos lembranças falsas ou distorcidas. Tente se lembrar de algum evento que lhe aconteceu no ano passado e responda: quem estava lá? Quais eram os nomes das pessoas? Que roupas vestiam? Como estava o clima no dia? Depois, faça essas mesmas perguntas a outra pessoa que viveu o mesmo evento. As respostas dificilmente vão coincidir. Vocês podem até se lembrar do principal, mas todo o resto será distorcido - com direito a várias informações criadas pelo cérebro. Já que a memória e a imaginação usam os mesmos mecanismos, a mente não vê problema em dar uma inventadinha para completar as lacunas.
Essa tendência é tão forte que a Justiça possui artifícios para se defender disso, e ver se os relatos de testemunhas estão contaminados pela imaginação. Além de propor situações que não aconteceram (como no caso do americano Paul Ingram), os interrogadores evitam perguntas indutivas ("ele estava usando um boné, certo?") ou que envolvam raciocínio negativo ("isso não está certo, né?"), pois elas acabam levando o cérebro a distorcer as memórias. Mas não há uma maneira de determinar, cientificamente, se uma lembrança é real. Nem mesmo o detector de mentiras consegue desmascarar falsas memórias, e por um motivo simples. Sabe aquela máxima que diz: uma coisa não é mentira quando você acredita nela? Pois é.
Apesar de tudo isso, é difícil imaginar uma sociedade que não acreditasse na memória das pessoas. Não existiria verdade nem realidade coletiva, pois cada indivíduo viveria isolado em seu próprio mundo de lembranças. "A crença na memória é fundamental para várias instituições da sociedade, como a Justiça e as escolas", afirma Schacter. Ainda bem. Pois, no futuro, nossas memórias serão totalmente diferentes.
Para saber mais: The Seven Sins Of Memory, Daniel Schacter, Houghton Mifflin Books, 2001.
Mas nem é preciso de crimes ou sessões de hipnose para colocar nossas memórias em xeque. Imagine acordar certo dia e descobrir que parte das suas lembranças é pura imaginação. Isso porque a memória não é um registro da realidade - é uma interpretação construída pela mente. O nosso cérebro inventa o mundo, das cores que a gente vê às experiências que a gente vive. E edita essas informações antes de gravá-las, explica o psicólogo cognitivo Martin Conway, da Universidade de Leeds. Cientistas da Universidade Harvard pediram a voluntários que se lembrassem de uma festa em que tinham estado. Em seguida, eles deviam imaginar uma festa que ainda não havia acontecido. Os pesquisadores monitoraram as cobaias durante todo o experimento e descobriram que, nos dois exercícios, sua atividade cerebral foi praticamente a mesma. Ou seja: os mecanismos que usamos para acessar nossas memórias são os mesmos que usamos para imaginar as coisas. Uma pessoa pode ter lembranças erradas ao ler o que está gravado corretamente na sua memória, explica Daniel Schacter, psicólogo da Universidade Harvard e autor de vários livros sobre memória.
Todos nós temos lembranças falsas ou distorcidas. Tente se lembrar de algum evento que lhe aconteceu no ano passado e responda: quem estava lá? Quais eram os nomes das pessoas? Que roupas vestiam? Como estava o clima no dia? Depois, faça essas mesmas perguntas a outra pessoa que viveu o mesmo evento. As respostas dificilmente vão coincidir. Vocês podem até se lembrar do principal, mas todo o resto será distorcido - com direito a várias informações criadas pelo cérebro. Já que a memória e a imaginação usam os mesmos mecanismos, a mente não vê problema em dar uma inventadinha para completar as lacunas.
Essa tendência é tão forte que a Justiça possui artifícios para se defender disso, e ver se os relatos de testemunhas estão contaminados pela imaginação. Além de propor situações que não aconteceram (como no caso do americano Paul Ingram), os interrogadores evitam perguntas indutivas ("ele estava usando um boné, certo?") ou que envolvam raciocínio negativo ("isso não está certo, né?"), pois elas acabam levando o cérebro a distorcer as memórias. Mas não há uma maneira de determinar, cientificamente, se uma lembrança é real. Nem mesmo o detector de mentiras consegue desmascarar falsas memórias, e por um motivo simples. Sabe aquela máxima que diz: uma coisa não é mentira quando você acredita nela? Pois é.
Apesar de tudo isso, é difícil imaginar uma sociedade que não acreditasse na memória das pessoas. Não existiria verdade nem realidade coletiva, pois cada indivíduo viveria isolado em seu próprio mundo de lembranças. "A crença na memória é fundamental para várias instituições da sociedade, como a Justiça e as escolas", afirma Schacter. Ainda bem. Pois, no futuro, nossas memórias serão totalmente diferentes.
Para saber mais: The Seven Sins Of Memory, Daniel Schacter, Houghton Mifflin Books, 2001.
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Entenda por que os seres humanos jamais abandonam suas crenças (Revista Galileu)
Entenda por que os seres humanos jamais abandonam suas crenças
Alguns valores ficam armazenados em uma região distinta do cérebro
por Redação Galileu
Se você é daqueles que não abre mão de suas crenças por nada, fique sabendo que é mais culpa do seu cérebro do que da educação que você recebeu. Um novo estudo descobriu que algumas informações não abandonam nossa cabeça, nem por dinheiro.
Por mais que as pessoas estejam preparadas para adaptar seus pensamentos aos de outras pessoas, existe um conjunto de valores que elas não abandonam jamais. Isso acontece porque aquilo que chamamos de crença - informações geralmente ligadas à religião e identidade - fica armazenado em uma parte separada do cérebro, usada para distinguir o certo e o errado.
Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores acompanharam imagens do cérebro de voluntários, enquanto estes eram persuadidos a mudarem crenças previamente declaradas.
Assim, puderam notar que quando as pessoas aceitavam, por dinheiro, mudar declarações do tipo “Eu bebo chá”, o mesmo não acontecia quando o assunto era relacionado a ideias políticas e ideológicas, do tipo“sou a favor do casamento gay”.
Por mais que as pessoas estejam preparadas para adaptar seus pensamentos aos de outras pessoas, existe um conjunto de valores que elas não abandonam jamais. Isso acontece porque aquilo que chamamos de crença - informações geralmente ligadas à religião e identidade - fica armazenado em uma parte separada do cérebro, usada para distinguir o certo e o errado.
Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores acompanharam imagens do cérebro de voluntários, enquanto estes eram persuadidos a mudarem crenças previamente declaradas.
Assim, puderam notar que quando as pessoas aceitavam, por dinheiro, mudar declarações do tipo “Eu bebo chá”, o mesmo não acontecia quando o assunto era relacionado a ideias políticas e ideológicas, do tipo“sou a favor do casamento gay”.
As imagens cerebrais mostraram que crenças mais mundanas ficam associadas com sistemas de recompensa, enquanto valores considerados sagrados provocam a ativação de sistemas neurais associados com erros e acertos.
Os valores sagrados variaram de pessoa para pessoa, de acordo com as preferências e experiências passadas e registradas pelo cérebro, a pesquisa mostrou que os temas mais comuns de crenças estavam relacionados à religião, esporte e identidade.
http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI290968-17770,00-ENTENDA+POR+QUE+OS+SERES+HUMANOS+JAMAIS+ABANDONAM+SUAS+CRENCAS.html
Os valores sagrados variaram de pessoa para pessoa, de acordo com as preferências e experiências passadas e registradas pelo cérebro, a pesquisa mostrou que os temas mais comuns de crenças estavam relacionados à religião, esporte e identidade.
sábado, 10 de dezembro de 2011
Evangélicos, gays, e o inferno (Marcelo Carneiro da Cunha)
Evangélicos, gays, e o inferno
sexta, 9 de dezembro de 2011, 08h07
Na minha visão do inferno, estimados leitores, o calor é porto-alegrense, a comida é de bufê por quilo, a música se alterna entre o sertanejo universitário, o axé e um mix dos melhores momentos de Los Hermanos e Legião Urbana. A melhor parte é que as únicas opções de conversa são o Silas Malafaia, a Benedita da Silva, o Magno Malta e Anthony Garotinho.
Assim é o inferno, lugar tão dantesco que o diabo mesmo se mandou, após uma candidatura bem sucedida ao Senado pelo PR de qualquer estado. O inferno é o lugar para onde os evangélicos acreditam que eu, você, o senhor aqui ao lado, todos vão, se forem gays. Evangélicos sentem muito, muito medo dos gays.
Os nazistas também sentiam muito medo dos judeus. Os turcos sentiam muito medo dos armênios. Os brancos do sul dos Estados Unidos sentiam muito, muito medo dos negros. Os hutu tinham muito medo dos tutsi. Os fundamentalistas islâmicos morrem de medo das mulheres, dos adúlteros, ah, e dos gays. Os brancos têm muito medo dos indígenas. Os destros sentem medo dos canhotos. Os japoneses já tiveram medo dos coreanos e chineses, assim como os israelenses não atravessam a rua se do outro lado vier um palestino, e, nesse caso, ao que parece, o medo é recíproco.
Magno Malta, que sim, é um senador da República, além dos bicos que faz de papagaio de pirata da Dilma, tem medo de que o Brasil vire um império gay.
O inferno, caros leitores, é o lugar criado especialmente para se armazenar os nossos medos, todos eles. Os medrosos nada mais querem do que transformar a vida de todos em um inferno. A tal de frente evangélica quer transformar a nossa vida em um inferno, tudo graças ao medo.
Quem é mediado pelo medo não é capaz de dar um passo em direção ao que não conheça. E quem é ignorante, tem medo de tudo, exatamente por ser ignorante. Quem, além de ignorante, recebe uma bíblia e todas as certezas do mundo, sente o seu medo se transformar em ódio e intolerância. E é isso que vivemos, graças a esses representantes do pior, instalados de maneira muito equivocada em um parlamento democrático.
A democracia, ora vejam, caros leitores, não é simplesmente o sistema que representa a maioria. A democracia se define por ser o sistema que defende os interesses de todos. Ela preserva, acima de tudo, os direitos das minorias. As maiorias não precisam tanto assim de proteção, concordam?
O nosso sistema democrático está sendo ameaçado por gente que não acredita em direitos dos demais, porque, na sua ignorância total e totalitária, se acredita dona da razão. Isso seria engraçado, se não fosse aqui e agora. Gente que vive na mais completa ignorância se achando dona da razão, algo de que abdicaram em troca das suas certezas. O que, mas o que mesmo, gente do calibre de um Garotinho, de uma Benedita, de um Magno Malta, podem ter a acrescentar ao que quer que valha a pena ver e ouvir?
Eles vêm nos dizer que aqui, diferentemente do Irã, existem gays e eles são o mal. O que você acha disso, nobre leitor? Você acha que o mal é culpa dos gays? Ou dos judeus, dos palestinos, dos negros, dos indígenas, dos tutsis, das mulheres, dos coreanos, dos chineses, dos canhotos, dos armênios ou dos Carneiro da Cunha? O mal é frequentemente praticado por gente ruim. Olhe a foto de um Jean Wyllys, e então olhe a foto de um Malafaia, de um Garotinho, de um Magno Malta ou de um Wellington Jr. Quem lhe parece mais capaz de fazer maldades com a mais total tranquilidade?
A nossa Constituição é o nosso maior e melhor documento anti-inferno. Ela diz que somos todos iguais perante o estado e a lei. Olhem bem: todos. Até mesmo o Malta e Garotinho, até mesmo esses seres desdotados da mínima capacidade de leitura do que não for uma velha e inútil bíblia, se estamos em uma república laica. Todos, todos iguais.
Eu não acho que os Malafaia, Garotinho, Malta ou Benedita sejam iguais a mim, porque eu acredito na igualdade e eles não. Eu acredito na bondade e eles não. Tanto eles não acreditam na bondade, que não aceitam a lei que torna a homofobia um crime. Se eles não querem a lei, é porque querem manter o direito de praticar a odiosa homofobia, como fazem nas suas seitas. Querem o direito equivalente ao direito de praticar o racismo, a discriminação e o sexismo, que não existe.
Eles querem, basicamente, que o nosso mundo se transforme num inferno sobre a Terra. Normalmente, eu não acredito no inferno. Olhar para eles me faz acreditar, se não na sua existência, então na sua possibilidade. Eu não quero que essa possibilidade seja vencedora. Existe muita beleza em toda parte, nesse mundo de tantas partes. Se eles não vêem, nós vemos. E, quem vê, ora vejam, vence.
[http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI5510176-EI8423,00-Evangelicos+gays+e+o+inferno.html]
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Noivos(as) cadáveres na China
Casamento entre pessoas mortas é tradição na China
Mundo Estranho - Luiza Sahd | 7 de novembro de 2011
Existe uma crença muito antiga na China: homens com mais de 12 anos que morrem solteiros não podem ser enterrados sem uma esposa. Caso contrário, infortúnios acontecerão para sua família e gerações futuras.
Por conta da tradição, muitas famílias camponesas realizam casamentos entre filhos mortos – a maioria nem se conheceu em vida – para que eles descansem em paz.
(...)
(texto completo):
Rinocerontes: chifre milagroso e desdobramentos
A SANGUE-FRIO: Rinoceronte morto e sem os chifres na África do Sul. Traficantes mataram 333 animais em 2010 e 341 em 2011 (Foto: Reuters Staff/Reuters)
Um genocídio selvagem
O chifre de rinoceronte, considerado milagroso por muitos chineses, movimenta uma caçada crescente. Duas subespécies do animal acabam de ser extintas.
Peter Moon (Revista Época)
US$ 100 mil. Esse é o preço do quilo do chifre de rinoceronte no mercado ilegal de Hong Kong. Os compradores são ricaços adeptos da medicina tradicional chinesa, segundo a qual o chifre de rinoceronte tem propriedades curativas quase ilimitadas. De acordo com manuscritos chineses do século XVI, o pó do chifre macerado serve para curar todo tipo de febre e enxaqueca, ansiedade, hemorragia, varíola, reumatismo – e até exorcizar possessões demoníacas. Só não é afrodisíaco (nesse caso, o indicado é a genitália dos tigres).
Tamanha demanda começa a causar danos permanentes à espécie. Na semana passada, duas subespécies de rinocerontes foram consideradas oficialmente extintas. O Fundo Mundial para a Natureza (WWF) anunciou que o último rinoceronte-javanês do Vietnã foi morto em 2010. A União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN) informou ter sido encontrada, em março, a carcaça do último rinoceronte-negro da África Ocidental, ou rinoceronte-negro-do-norte. Faltavam os chifres.
(...)
Matéria/reportagem completa em:
domingo, 20 de novembro de 2011
7 fatores que fazem as pessoas acreditarem em coisas estranhas (sobre o livro de Michael Shermer)
7 fatores que fazem as pessoas acreditarem em coisas estranhas (sobre o livro de Michael Shermer)
Ana Carolina Prado | 18 de novembro de 2011
Em uma pequena cidade de Illinois (EUA), um bandido misterioso – e bizarro – estampava as capas dos jornais lá por volta de 1944. Tudo começou com uma mulher que declarou que um homem entrou em seu quarto no meio da noite e anestesiou suas pernas com um spray a gás paralisante. Logo apareceram os jornais com manchetes como “BANDIDO DO ANESTÉSICO À SOLTA”. E, nos 13 dias seguintes, cerca de 25 casos semelhantes foram relatados e amplamente explorados pela imprensa. A polícia da cidade ficou de prontidão. E os maridos com suas armas carregadas. Duas semanas depois, ninguém havia sido preso. E nenhum vestígio químico havia sido descoberto. Assim, tanto a polícia quanto a mídia começaram a se referir ao evento como um caso de “histeria de massa”.
Ondas de avistamentos de ETs, chupacabras, fantasmas ou bandidos bizarros cuja existência nunca foi comprovada aparecem de tempos em tempos em diversos lugares. Às vezes, vira moda ver sinais milagrosos – ou mensagens malignas escondidas em músicas, rótulos, filmes. Mas o que leva uma pessoa a acreditar em coisas como essas? É disso que fala o livro “Por que as pessoas acreditam em coisas estranhas?”, do psicólogo e historiador da ciência americano Michael Shermer. O critério usado por ele para definir o que são coisas “estranhas” é a falta de evidências científicas para comprovar sua existência.
Com base no livro, listamos alguns fatores que influenciam nesse tipo de crença – e podem fazer, inclusive, com que pessoas extremamente inteligentes sejam pegas. Afinal, garante ele, ninguém está completamente imune à histeria coletiva. Dê uma lida e depois diga pra gente se você concorda ou não.
1. Elas querem acreditar
Segundo Michael Shermer, a principal razão pela qual as pessoas acreditam em coisas estranhas é simpes: elas querem acreditar. Mas por que? Porque dá bem-estar, é reconfortante e consola. Para Shermer, se alguém perguntar qual é a sua posição sobre a vida após a morte, é provável que você diga que é favorável. E explica: “O fato de eu ser favorável à vida após a morte não significa que vou consegui-la [ou que ele acredito nela]. Mas quem não a quereria? É esse o ponto. É uma reação muito humana acreditar nas coisas que nos fazem sentir melhor”.
2. A gratificação imediata
Muitas crenças estranhas promovem um bem-estar instantâneo. Shermer cita no livro o exemplo dos médiuns que atendem pelo telefone – a um custo de 3,95 dólares por minuto. Eles usam as chamadas técnicas de leitura a frio: vão tentando adivinhar as coisas partindo de informações mais gerais (envolvendo coisas banais que são verdadeiras para quase todo mundo, como “pressões financeiras vêm lhe causando problemas” – afinal, até Eike Batista terá um dia difícil se perder grana no mercado financeiro). A partir das pistas que as pessoas vão dando, os supostos médiuns conseguem deduzir as informações mais específicas que irão impressionar. Se o médium diz algo que não corresponde à realidade da pessoa naquele momento, a saída é simples: ele diz que a coisa vai acontecer no futuro. E a pessoa acredita. Afinal, a grande sacada é que eles não precisam estar certos o tempo todo. “Quem telefona costuma esquecer os erros e lembrar mais dos acertos e, o mais importante, as pessoas desejam que o médium acerte. Os céticos não gastam 3,95 dólares por minuto nisso, mas os crentes sim”, explica o autor.
3. Simplicidade
Para termos uma gratificação imediata, é preciso que as crenças tenham explicações simples para as coisas complexas do mundo. “Coisas boas e ruins acontecem tanto para as pessoas boas quanto para as ruins, aparentemente de modo aleatório. As explicações científicas costumam ser complicadas e requerem treino e esforço para ser entendidas. A superstição e a crença no destino e no sobrenatural oferecem um caminho mais simples”, diz Shermer. Para ilustrar isso, ele conta uma experiência de Harry Edwards, chefe da Australian Skeptics Society (Sociedade dos Céticos Australianos).
Edwards publicou uma carta num jornal local falando sobre uma galinha de estimação que ele costumava carregar empoleirada nos seu ombro. Às vezes, porém, ela não se segurava e acabava deixando um “cartão de visitas” na sua camisa. Mas o que poderia ser algo desagradável acabava dando origem a acontecimentos muito positivos. Edwards listou alguns desses episódios e os correlacionou com certos eventos que ocorriam em seguida e chegou à conclusão de que o cocô da galinha lhe trazia boa sorte. Sempre que ela carimbava sua roupa, ele encontrava uma carteira com dinheiro, ganhava na loteria, recebia alguma notícia boa. Então ele levou a ave para várias consultas espirituais e descobriu que ela havia sido um filantropo numa vida passada e que tinha reencarnado para fazer o bem às pessoas – por meio de suas fezes. Assim, Edwards terminou sua carta ao jornal oferecendo-se para vender saquinhos com o “cocô da sorte” de sua galinha. Era tudo um teste, mas ele recebeu dois pedidos e 20 dólares pela “mercadoria”. Sim, houve pessoas que compraram a história. Porque ela era simples – mais fácil que as leis da probabilidade, por exemplo.
4. Nível de incertezas e perigos do local
O local onde a pessoa está influencia suas crenças. Estudos mostraram que quanto mais incertezas o ambiente oferece, maior é a superstição. O antropólogo Bronislaw Malinowski constatou, por exemplo, que os habitantes das ilhas Trobriand, no litoral da Nova Guiné, recorriam mais a rituais supersticiosos à medida que se afastavam no mar para pescar. Nas águas calmas das lagoas a que estavam acostumados, os rituais desapareciam. Ele concluiu, então, que a magia aparece em situações em que estão em jogo a incerteza, o acaso e um jogo emocional intenso entre a esperança e o medo. “Não encontramos isso quando a atividade é certa, confiável e está sob o controle de métodos racionais e processos tecnológicos”, conta Malinowski.
5. Abertura a novas experiências
Estudos envolvendo experiências místicas concluíram que as pessoas com maior predisposição ao misticismo (ou seja, à crença em coisas estranhas) tendem a ter uma personalidade com altos níveis de complexidade, abertura a novas experiências, variedade de interesses, inovação, tolerância à ambiguidade e criatividade. Elas também podem ter maior propensão a serem absorvidas em fantasias, capacidade de suspender o processo de julgamento que permite separar eventos reais e imaginação e uma boa disposição de investir seus recursos mentais para representar o objeto imaginário do modo mais vívido possível.
6. O fato de pessoas inteligentes em um campo da ciência não serem necessariamente inteligentes em outro
Michael Shermer chama atenção para o fato de que muitos pesquisadores brilhantes em certas áreas podem cometer erros e deixar passar fatos importantes, por ignorância, ao fazerem incursões em outras áreas. “Os recém-chegados de outros campos, que em geral se enfiam com os dois pés sem o treino e a experiência exigidos, passam a gerar novas ideias que consideram – por causa do sucesso que obtiveram em seu próprio campo – revolucionárias”. O problema é que, na maioria dos casos, aquelas ideias já foram avaliadas anos ou até décadas antes – e foram rejeitadas por razões legítimas.
7. “Pessoas inteligentes acreditam em coisas estranhas porque têm capacidade para defender crenças às quais chegaram por razões não inteligentes”
Segundo Shermer, a maioria das pessoas constitui suas crenças por uma variedade de razões que não têm muita evidência empírica nem raciocínio lógico. Elas fazem suas escolhas segundo variáveis como a constituição genética, social, influência de familiares e amigos, experiências pessoais etc. “Selecionamos dentre a massa de dados aquilo que confirme mais as coisas em que já acreditamos e ignoramos ou racionalizamos o que não vem confirma-las. Todos fazemos isso, mas as pessoas inteligentes fazem melhor, seja por talento ou por estarem treinadas”, explica. Assim, elas também podem defender melhor suas crenças para si mesmas.
http://super.abril.com.br/blogs/como-pessoas-funcionam/7-fatores-que-fazem-as-pessoas-acreditarem-em-coisas-estranhas/
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Sobre detecção de espíritos (Suzana Herculano-Houzel)
(...)
Donde a pergunta inevitável, em tempos de Chico Xavier se tornando fenômeno de bilheteria nacional, durante a primeira aula sobre os sistemas sensoriais para minha turma de psicologia na UFRJ: e os espíritos? Como nós os detectamos?
Resposta em palavras escolhidas a dedo pela Neurocientista de Plantão: até hoje não foi detectada nenhuma forma de energia que possa corresponder a manifestações espíritas. Nenhum aparelho acusa qualquer tipo de variação de energia externa ao cérebro que possa ser relacionada à sensação de "presença espírita" relatada por algumas pessoas. Se esse for de fato o caso, "espíritos" não podem ser "detectados pelos sentidos".
"Mas não pode ser o caso que essa forma de energia existe, e só não sabemos como ela é, então não temos aparelhos para acusá-la?" Pode, teoricamente pode. "E será que algumas poucas pessoas não possuem os receptores sensoriais necessários para detectá-la, e a maioria das pessoas não?" De novo, teoricamente sim.
Mas, enquanto não houver uma variação de energia "espírita" detectável e não for encontrado um tipo de célula no corpo sensível a ela, não dá para falar em "sentir" espíritos - não no sentido dos outros sentidos.
Por outro lado, há vários estudos em neurociência que mostram que a percepção de presenças atribuíveis por exemplo a espíritos está associada a um padrão de ativação em regiões do córtex, como o parietal posterior e o lobo temporal. "A-ha, então os espíritos agem diretamente sobre o córtex cerebral!", podem dizer alguns. É uma interpretação possível - assim como é possível a outra interpretação, de que a percepção da presença do espírito é uma criação do seu córtex temporal. Mas enquanto a interpretação espírita não é testável pela ciência, a segunda interpretação é - e sim, é possível *provocar* uma sensação espírita apenas manipulando a atividade do cérebro...
Se Deus/espíritos/almas são uma criação do seu cérebro ou os criadores dele, portanto, fica a critério de cada um. A ciência nem prova, nem desaprova...
[excerto do post "O efeito Chico Xavier sobre as aulas de neurociência" - texto completo em:
http://www.suzanaherculanohouzel.com/journal/2010/4/29/o-efeito-chico-xavier-sobre-as-aulas-de-neurociencia.html]
Donde a pergunta inevitável, em tempos de Chico Xavier se tornando fenômeno de bilheteria nacional, durante a primeira aula sobre os sistemas sensoriais para minha turma de psicologia na UFRJ: e os espíritos? Como nós os detectamos?
Resposta em palavras escolhidas a dedo pela Neurocientista de Plantão: até hoje não foi detectada nenhuma forma de energia que possa corresponder a manifestações espíritas. Nenhum aparelho acusa qualquer tipo de variação de energia externa ao cérebro que possa ser relacionada à sensação de "presença espírita" relatada por algumas pessoas. Se esse for de fato o caso, "espíritos" não podem ser "detectados pelos sentidos".
"Mas não pode ser o caso que essa forma de energia existe, e só não sabemos como ela é, então não temos aparelhos para acusá-la?" Pode, teoricamente pode. "E será que algumas poucas pessoas não possuem os receptores sensoriais necessários para detectá-la, e a maioria das pessoas não?" De novo, teoricamente sim.
Mas, enquanto não houver uma variação de energia "espírita" detectável e não for encontrado um tipo de célula no corpo sensível a ela, não dá para falar em "sentir" espíritos - não no sentido dos outros sentidos.
Por outro lado, há vários estudos em neurociência que mostram que a percepção de presenças atribuíveis por exemplo a espíritos está associada a um padrão de ativação em regiões do córtex, como o parietal posterior e o lobo temporal. "A-ha, então os espíritos agem diretamente sobre o córtex cerebral!", podem dizer alguns. É uma interpretação possível - assim como é possível a outra interpretação, de que a percepção da presença do espírito é uma criação do seu córtex temporal. Mas enquanto a interpretação espírita não é testável pela ciência, a segunda interpretação é - e sim, é possível *provocar* uma sensação espírita apenas manipulando a atividade do cérebro...
Se Deus/espíritos/almas são uma criação do seu cérebro ou os criadores dele, portanto, fica a critério de cada um. A ciência nem prova, nem desaprova...
[excerto do post "O efeito Chico Xavier sobre as aulas de neurociência" - texto completo em:
http://www.suzanaherculanohouzel.com/journal/2010/4/29/o-efeito-chico-xavier-sobre-as-aulas-de-neurociencia.html]
domingo, 6 de novembro de 2011
Livro: Por que as pessoas acreditam em coisas estranhas (Michael Shermer)
Livro: Por que as pessoas acreditam em coisas estranhas (Michael Shermer)
"O livro do psicólogo Michael Shermer é uma excelente introdução ao raciocínio cético. Partindo de crenças mais ou menos generalizadas como experiências de quase morte e abduções por ETs, ele desmonta algumas das pseudociências e superstições que assolam nossos tempos e, ao fazê-lo, aproveita para explicar como a ciência de verdade funciona. O texto é fluido e informativo. Em quase nenhum momento Shermer debocha das crenças descritas, mesmo as mais exóticas. O autor conquista a confiança e a simpatia do leitor declarando-se ele próprio um ex-praticante de várias das terapias alternativas que critica no livro." (Hélio Schwartsman) JSN Editora | trad. Luis Reyes Gil | prefácio de Stephen Jay Gould | 384 págs. | R$ 65
[texto de Hélio Schwartsman no jornal Folha de São Paulo, caderno Ilustríssima, de 06/nov/2011]http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrissima/il0611201101.htm
*****
Poucos podem falar com mais autoridade pessoal das crenças humanas do que Michael Shermer. Ele conta que se tornou cético depois de uma odisseia de dez anos pelo mundo da saúde alternativa e das terapias para melhorar a aptidão física. Em seu livro, Shermer aborda sob uma ótica estritamente científica temas como a negação do Holocausto, o criacionismo, as experiências de quase morte e a paranormalidade. Segundo ele, nada supera o método científico, que envolve a obtenção de dados para formular e testar as explicações dos fenômenos naturais, desenvolvido inicialmente nos séculos XVI e XVII.
Michael Shermer | 384 páginas | 15,5 x 23,0 cm | ISBN 978-85-85985-30-1 | R$ 65,00
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Crenças (Suzana Herculano-Houzel)
Crenças (Suzana Herculano-Houzel)
Excerto da postagem “Sou ateia e sinto-me discriminada. Pronto, falei.” no blog http://www.suzanaherculanohouzel.com/
(...)
Crenças são produto do cérebro: modelos internos que criamos para explicar acontecimentos sistemáticos, não importa se baseados em evidências ou não, dentro dos quais nossos valores e experiências de vida se encaixam, e que nos ajudam não só a explicar eventos quanto a predizê-los, o que por sua vez ajuda a orientar nossas ações. Pessoas diferentes creem na bondade dos homens (ou na sua maldade intrínseca), na pureza das crianças, em guardar dinheiro na poupança, creem no governo, em educar-se muito e sempre ou em fazer o bem ao próximo.
A crença em Deus, em particular, resolve muitas questões de uma vez só: para começar, todas aquelas em que não conseguimos identificar um agente responsável pelos acontecimentos. A colheita foi boa? Deus quis. Foi péssima? Obra Dele, também, por algum de seus desígnios. Surgiu um câncer? Desapareceu sozinho? Nossos olhos e ouvidos internos são estruturas complexas e aparentemente improváveis? Obra de Deus.
Uma alternativa é aceitar que cânceres, dilúvios, seres altamente complexos e tantas outras coisas simplesmente acontecem, sem um Agente identificável. São obra do Acaso, ou da Natureza, ou de algum outro agente ainda não identificado. Para mim e meus colegas ateus (ou agnósticos: não vejo diferença prática entre uns e outros, assim como não vejo diferença entre crer na inexistência de Deus ou não crer na Sua existência), essa é nossa crença. A crença em um Ser superior, portanto, é tão boa quanto qualquer outra crença, posto que são crenças, justamente: nem melhor, nem pior.
(...)
[http://www.suzanaherculanohouzel.com/journal/2010/10/17/sou-ateia-e-sinto-me-discriminada-pronto-falei.html] - acesso: 21/out/2011
Os dez mandamentos (versão laica)
Os dez mandamentos (versão laica)
do livro “Deus, um delírio” (Richard Dawkins), versão coletado(a) em postagem do blog de Suzana Herculano-Houzel (neurocientista) http://www.suzanaherculanohouzel.com/
1- Não faça aos outros o que não quer que façam com você *[embora eu ainda prefira a versão positiva da Regra de Ouro: Trate os outros como você gostaria de ser tratado - comentário da Suzana]*
2- Em todas as coisas, faça de tudo para não provocar o mal;
3- Trate os outros seres humanos, as outras criaturas e o mundo em geral com amor, honestidade, fidelidade e respeito;
4- Não ignore o mal nem evite administrar a justiça, mas sempre esteja disposto a perdoar erros que tenham sido reconhecidos por livre e espontânea vontade e lamentados com honestidade;
5- Viva a vida com um sentimento de alegria e deslumbramento;
6- Sempre tente aprender algo de novo;
7- Ponha todas as coisas à prova; sempre compare suas ideias com os fatos, e esteja disposto a descartar mesmo a crença mais cara se ela não se adequar a eles;
8- Jamais se autocensure ou fuja da dissidência; sempre respeite o direito dos outros de discordar de você;
9- Crie opiniões independentes com base em seu próprio raciocínio e em sua experiência; não se permita ser dirigido pelos outros;
10- Questione tudo.
[http://www.suzanaherculanohouzel.com/journal/2009/9/8/os-dez-mandamentos-verso-laica.html] - acesso: 21/out/2011
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Ateísmo, religiões e Estado (Rodrigo Zacharias)
Ateísmo, religiões e Estado (Rodrigo Zacharias)
Ateísmo é a rejeição ou ausência de crença na existência de divindades e outros seres sobrenaturais, porque tidos como fruto da criação humana. Parte do pressuposto de que as convicções religiosas baseadas em livros sagrados como o Alcorão, a Bíblia, os Upanixades e o Talmud não passam de literatura.
A rigor, os ateus se diferem dos religiosos porque não acreditam em quaisquer deuses. Porém, cristãos são ateus em relação ao deus muçulmano ou ao judeu; budistas são ateus em relação ao deus cristão e ao muçulmano, e por aí vai. Logo, todos, sem exceção, são, de alguma forma, ateus.
O ateísmo parte da constatação de que deuses foram criados em praticamente todas as civilizações e em todas as eras. Primeiramente coisas, depois seres vivos como plantas e animais foram deificados. Depois vieram as divindades com caracteres humanos. Por fim, surgiram as religiões monoteístas (judaísmo, cristianismo, islamismo), que se espalharam pelo mundo ocidental, em contextos históricos diversos.
A ideia de um deus criador rancoroso, como o cristão, o judeu e o muçulmano, para os ateus não faz sentido à luz da ciência. Somos serem pensantes, habitantes de um planeta maravilhosamente singular, dentro de um universo imenso, onde a figura de um deus, ou de deuses, simplesmente não se ajusta, porque nada explica, apenas complica.
Ateísmo lida bem com a finitude, pois pensa nesta vida, no mundo real, sem que procure algum "sentido" maior em tudo isso. É o próprio homem que dá sentido a sua vida, por meio de suas ações. E o melhor motor ético do homem é sua própria consciência, baseada no respeito aos demais e à lei do seu país. As coisas são o que são e é melhor viver a paz da descrença que a ilusão de eternidade.
Sim, os ateus focam sua preocupação não em dogmas, mas no ser humano e na ciência, sem que esta seja considerada infalível. Por isso, ateísmo é humanismo; é libertar-se de medo do sobrenatural; é buscar a compreensão do universo sem apelo ao criacionismo inverossímil. Para o ateu, a fé é uma ficção, uma renúncia à razão, que pode levar a resultados desastrosos.
O ser humano não precisa que livros sagrados prevejam punições (inferno) ou prêmios (céu) para agir bem socialmente, pois, em todos os países, há leis a serem obedecidas. Logo, age com ética aquele que faz o bem por convicção ou por medo de castigo divino? O direito já serve para isso: manter um mínimo de ordem. Basta temer as punições da lei, que aliás são muitas.
Religiosos ortodoxos e fundamentalistas podem fazer o bom pela caridade, mas estão no cerne das grandes matanças, guerras e perseguições, sobretudo quando a religião é manipulada pela política, como ocorreu na Alemanha Nazista. A história mostra que a obsessão por controlar as mentes dos fiéis, somada ao ódio aos infiéis, configura o pano de fundo de tantas atrocidades. Exemplo maior foi o da Santa Inquisição, que ceifou a vida de milhares, talvez milhões, apenas por pensarem diferente da igreja católica. Exemplo recente foi genocídio praticado pela Sérvia cristã no coração da Europa nos anos 90. Nos dias de hoje, podem ser citadas as punições corporais e aviltamento da mulher (Alcorão), proibição de ateus ocuparem cargos públicos (vários estados dos EUA), o conflito entre Israel e Palestina; a religião é o que tornou possíveis os atentados de 11 de setembro, levando a um abismo entre o ocidente o mundo muçulmano. O que interessa enfatizar é que o mundo de hoje não está livre desse tipo de atrocidades, muito pelo contrário.
No Brasil, a Constituição de 1988 prevê a liberdade de crença para crentes e descrentes (art. 5º, VI) e a separação entre igrejas e Estado (art. 19), mas isso não está sendo obedecido pelo poder público. Vejo com preocupação o fato de prédios públicos conterem símbolos religiosos (na sala de julgamento do STF, há um crucifixo); o fato de a religião católica ser ensinada nas escolas públicas; a presença de ministros religiosos ocupando cargos públicos; a concordata entre Brasil e Vaticano de 2008; o pagamento de dízimo exagerado pelos pobres; o enriquecimento de igrejas, protegidas pela imunidade injustificável; por fim, a existência de tantos feriados cristãos, como Sexta-feira Santa, dia de Nossa Senhora de Aparecida e Corpus Christi. São exemplos de usurpação do Estado laico pela religião, a despeito das normas, claras, previstas na Constituição.
Rodrigo Zacharias é juiz federal em Jaú.
[http://www.comerciodojahu.com.br/post.asp?id=1234228] - acesso: 05/out/2011
[http://ateusatentos.blogspot.com/2011/09/jornal-de-jau-publica-texto-sobre.html] - acesso: 05/out/2011
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Um manifesto contra o criacionismo (O Globo) e comentário (B.R.)
Um manifesto contra o criacionismo
Publicada em 20/09/2011 - 00h09min | O Globo (on-line)
Um grupo de 30 dos mais proeminentes cientistas, entre eles Richard Dawkins e David Attenborough, assinou uma petição defendendo a ideia de que a Teoria da Evolução, de Charles Darwin, deve ser ensinada às crianças a partir dos cinco anos. Em carta ao governo britânico o grupo pede o combate as aulas de criacionismo nas escolas. O ensino do criacionismo e do design inteligente nas aulas de ciência, como se fossem teorias científicas, vem ganhando defensores e causando polêmica em todo o mundo.
Embora o ensino da Teoria da Evolução não seja compulsório nas escolas primárias do Reino Unido, muitas já ensinam alguns de seus aspectos nas aulas. A proposta de colocar a Evolução no currículo nacional foi aceita pelo governo anterior, mas derrubada no ano passado e, atualmente, está sendo revista pelo Ministério da Educação.
A crença religiosa segundo a qual a Humanidade, a vida e o próprio planeta Terra teriam sido criados por Deus em seis dias vem alimentando polêmica em diversos países nos últimos anos desde que ganhou novas roupagens, como o chamado design inteligente, e ampliou sua popularidade. A polêmica tomou os Estados Unidos e o Reino Unido. O biólogo Richard Dawkins, da Universidade de Oxford, acabou se tornando uma das principais vozes em defesa do evolucionismo de Charles Darwin.
Evolucionismo deve ser ensinado desde os 5 anos
A petição do governo britânico sustenta que embora o criacionismo e o design inteligente não sejam teorias científicas, eles são apresentados como se o fossem por "fundamentalistas religiosos" que tentam promover suas visões de mundo em escolas financiadas com verbas públicas.
A petição também defende o ensino da Teoria da Evolução desde o pré- primário, como parte obrigatória do currículo mínimo exigido das escolas. A teoria científica de Darwin, internacionalmente aceita, sustenta que todos os seres vivos se desenvolveram a partir de organismos primitivos por meio de mutações genéticas aleatórias e de um processo chamado de seleção natural - em que as espécies mais bem adaptadas sobrevivem.
O documento assinado pelos cientistas ressalva o fato de que algumas organizações religiosas estão conseguindo incluir nas aulas de ciência sobre evolução ensinamentos sobre o design inteligente - como se ambos fossem teorias científicas equivalentes - e pede ao governo que interfira.
O governo já havia dito que não aceitaria propostas de o ensino do criacionismo integrar o currículo escolar de ciência, nem mesmo como alternativa a teorias científicas.
"A Evolução é uma explicação para a existência verdadeiramente satisfatória e completa; eu suspeito que isso seja algo que uma criança pode apreciar desde muito nova", escreveu Dawkins em texto publicado no "Times". Ele escreveu ainda que a Evolução poderia ser ensinada de forma "mais simples de ser entendida do que os mitos". Isso porque, acrescentou, "mitos deixam várias perguntas sem resposta ou acabam por levantar mais questões do que as explicam."
© 1996 - 2011. Todos os direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.
[http://oglobo.globo.com/ciencia/mat/2011/09/19/um-manifesto-contra-criacionismo-925397792.asp] acesso: 20/set/2011
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(Bertrand Russell - comentário póstumo)
Publicada em 20/09/2011 - 00h09min | O Globo (on-line)
Um grupo de 30 dos mais proeminentes cientistas, entre eles Richard Dawkins e David Attenborough, assinou uma petição defendendo a ideia de que a Teoria da Evolução, de Charles Darwin, deve ser ensinada às crianças a partir dos cinco anos. Em carta ao governo britânico o grupo pede o combate as aulas de criacionismo nas escolas. O ensino do criacionismo e do design inteligente nas aulas de ciência, como se fossem teorias científicas, vem ganhando defensores e causando polêmica em todo o mundo.
Embora o ensino da Teoria da Evolução não seja compulsório nas escolas primárias do Reino Unido, muitas já ensinam alguns de seus aspectos nas aulas. A proposta de colocar a Evolução no currículo nacional foi aceita pelo governo anterior, mas derrubada no ano passado e, atualmente, está sendo revista pelo Ministério da Educação.
A crença religiosa segundo a qual a Humanidade, a vida e o próprio planeta Terra teriam sido criados por Deus em seis dias vem alimentando polêmica em diversos países nos últimos anos desde que ganhou novas roupagens, como o chamado design inteligente, e ampliou sua popularidade. A polêmica tomou os Estados Unidos e o Reino Unido. O biólogo Richard Dawkins, da Universidade de Oxford, acabou se tornando uma das principais vozes em defesa do evolucionismo de Charles Darwin.
Evolucionismo deve ser ensinado desde os 5 anos
A petição do governo britânico sustenta que embora o criacionismo e o design inteligente não sejam teorias científicas, eles são apresentados como se o fossem por "fundamentalistas religiosos" que tentam promover suas visões de mundo em escolas financiadas com verbas públicas.
A petição também defende o ensino da Teoria da Evolução desde o pré- primário, como parte obrigatória do currículo mínimo exigido das escolas. A teoria científica de Darwin, internacionalmente aceita, sustenta que todos os seres vivos se desenvolveram a partir de organismos primitivos por meio de mutações genéticas aleatórias e de um processo chamado de seleção natural - em que as espécies mais bem adaptadas sobrevivem.
O documento assinado pelos cientistas ressalva o fato de que algumas organizações religiosas estão conseguindo incluir nas aulas de ciência sobre evolução ensinamentos sobre o design inteligente - como se ambos fossem teorias científicas equivalentes - e pede ao governo que interfira.
O governo já havia dito que não aceitaria propostas de o ensino do criacionismo integrar o currículo escolar de ciência, nem mesmo como alternativa a teorias científicas.
"A Evolução é uma explicação para a existência verdadeiramente satisfatória e completa; eu suspeito que isso seja algo que uma criança pode apreciar desde muito nova", escreveu Dawkins em texto publicado no "Times". Ele escreveu ainda que a Evolução poderia ser ensinada de forma "mais simples de ser entendida do que os mitos". Isso porque, acrescentou, "mitos deixam várias perguntas sem resposta ou acabam por levantar mais questões do que as explicam."
© 1996 - 2011. Todos os direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.
[http://oglobo.globo.com/ciencia/mat/2011/09/19/um-manifesto-contra-criacionismo-925397792.asp] acesso: 20/set/2011
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(Bertrand Russell - comentário póstumo)
“O impedimento da livre investigação será inevitável enquanto o objetivo da educação for produzir crenças em lugar de pensamentos, ou compelir os jovens a sustentar opiniões positivas sobre questões duvidosas em lugar de deixá-los enxergar a incerteza e incentivá-los à independência de espírito. A educação deve fomentar à aspiração da verdade, não a convicção de que um credo particular é a verdade.”
[Bertrand Russell, O melhor de Bertrand Russell: silhuetas satíricas, Robert E. Egner (sel.), Pedro Jorgensen Jr. (trad.), Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 2000, p. 106]
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Os segredos do São Bento no Enem
Método do primeiro colocado do Enem remete ao século 19, diz especialista da USP
Isabela Vieira | Agência Brasil | No Rio de Janeiro
12/09/2011 - 17h21 / Atualizada 12/09/2011 - 20h04
Com uma mensalidade de até R$ 2.140 mil e recusando a matrícula de meninas, o Colégio São Bento, na capital fluminense, ficou pela quarta vez na primeira colocação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A prova é aplicada pelo Ministério da Educação e avalia o desempenho de estudantes da rede pública e privada em todo o país.
Administrado por monges beneditinos, o colégio ficou cerca de 300 pontos à frente do último colocado no estado - uma escola pública. A Supervisão Pedagógica atribui o bom resultado ao ambiente de ensino "com excelente professores" e à dedicação dos alunos, que têm aulas entre às 7h30 e às 16h30, durante a semana e, aos sábados pela manhã, longe de meninas.
No entanto, a receita de sucesso do São Bento, que só aceitou professoras na escola a partir da década de 1960, gera polêmica. Para a professora da Universidade de São Paulo (USP), Cláudia Vianna, especialista em gênero e educação, "não é possível desenvolver a personalidade integral do aluno onde há segregação". Para ela, o método do São Bento remete ao século 19.
"É muito complicado dizer que a segregação garante qualidade. Vivemos num mundo misto que aliás, mostra que as meninas têm mais sucesso que os meninos. Que desenvolvimento é esse que só dá certo quando eu separo? Qual a mensagem que você passa? Como se propõe a prepará-los para o mundo que é misto? Que principio é esse que não trabalha com o heterogêneo?", questionou.
A supervisora do São Bento, a professora Maria Eliza Penna Firme Pedrosa disse que aceitar meninas significaria alterar a identidade do colégio e isso não está nos planos. "Os alunos e os pais estão satisfeitos. Os meninos acham o ambiente confortável e não identificamos prejuízo nenhum, já que os rapazes podem conviver com as meninas na sociedade".
Os alunos também não reclamam da jornada de estudos, da proibição do uso de adornos como piercings e acreditam que à dedicação os levará para as universidade públicas, como é o caso do estudante de odontologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Eduardo Maroun. Para ele, o São Bento ofereceu uma boa educação, com forte preocupação no caráter do aluno.
"Claro que as mulheres distraem um pouco os homens", declarou. "Se você tem uma namorada no colégio, fica com ela no recreio, vai para aula pensando nela, normal para o ser humano. Mas o colégio não tendo isso, ele [o aluno] fica mais focado. Isso é positivo porque você pode ter contato com as garotas fora do colégio, no clube ou na faculdade".
O Colégio São Bento funciona há mais de 150 anos e já teve entre seus alunos os compositores Heitor Villa-Lobos, Pinxinguinha e Noel Rosa, o teatrólogo João Procópio Ferreira, o jornalista Paulo Francis, e o escritor e humorista Jô Soares.
[http://noticias.uol.com.br/educacao/2011/09/12/metodo-do-primeiro-colocado-do-enem-remete-ao-seculo-19-diz-especialista-da-usp.jhtm] acesso: 13/set/2011
Isabela Vieira | Agência Brasil | No Rio de Janeiro
12/09/2011 - 17h21 / Atualizada 12/09/2011 - 20h04
Com uma mensalidade de até R$ 2.140 mil e recusando a matrícula de meninas, o Colégio São Bento, na capital fluminense, ficou pela quarta vez na primeira colocação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A prova é aplicada pelo Ministério da Educação e avalia o desempenho de estudantes da rede pública e privada em todo o país.
Administrado por monges beneditinos, o colégio ficou cerca de 300 pontos à frente do último colocado no estado - uma escola pública. A Supervisão Pedagógica atribui o bom resultado ao ambiente de ensino "com excelente professores" e à dedicação dos alunos, que têm aulas entre às 7h30 e às 16h30, durante a semana e, aos sábados pela manhã, longe de meninas.
No entanto, a receita de sucesso do São Bento, que só aceitou professoras na escola a partir da década de 1960, gera polêmica. Para a professora da Universidade de São Paulo (USP), Cláudia Vianna, especialista em gênero e educação, "não é possível desenvolver a personalidade integral do aluno onde há segregação". Para ela, o método do São Bento remete ao século 19.
"É muito complicado dizer que a segregação garante qualidade. Vivemos num mundo misto que aliás, mostra que as meninas têm mais sucesso que os meninos. Que desenvolvimento é esse que só dá certo quando eu separo? Qual a mensagem que você passa? Como se propõe a prepará-los para o mundo que é misto? Que principio é esse que não trabalha com o heterogêneo?", questionou.
A supervisora do São Bento, a professora Maria Eliza Penna Firme Pedrosa disse que aceitar meninas significaria alterar a identidade do colégio e isso não está nos planos. "Os alunos e os pais estão satisfeitos. Os meninos acham o ambiente confortável e não identificamos prejuízo nenhum, já que os rapazes podem conviver com as meninas na sociedade".
Os alunos também não reclamam da jornada de estudos, da proibição do uso de adornos como piercings e acreditam que à dedicação os levará para as universidade públicas, como é o caso do estudante de odontologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Eduardo Maroun. Para ele, o São Bento ofereceu uma boa educação, com forte preocupação no caráter do aluno.
"Claro que as mulheres distraem um pouco os homens", declarou. "Se você tem uma namorada no colégio, fica com ela no recreio, vai para aula pensando nela, normal para o ser humano. Mas o colégio não tendo isso, ele [o aluno] fica mais focado. Isso é positivo porque você pode ter contato com as garotas fora do colégio, no clube ou na faculdade".
O Colégio São Bento funciona há mais de 150 anos e já teve entre seus alunos os compositores Heitor Villa-Lobos, Pinxinguinha e Noel Rosa, o teatrólogo João Procópio Ferreira, o jornalista Paulo Francis, e o escritor e humorista Jô Soares.
[http://noticias.uol.com.br/educacao/2011/09/12/metodo-do-primeiro-colocado-do-enem-remete-ao-seculo-19-diz-especialista-da-usp.jhtm] acesso: 13/set/2011
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Das punições para a traição (Gwyneth Paltrow) e complementos
"Se morrer infeccionada por vírus fosse punição para traição, o mundo teria apenas umas três pessoas." (Gwyneth Paltrow, atriz, revelando que não condena a infidelidade)
[Revista Istoé, de 14/set/2011, p. 28 (seção "Semana")]
*****
"Pesquisa exclusiva revela que (quase) todo mundo já traiu" (na capa da revista VIP de outubro/2011, que traz Marjorie Estiano na capa)
[http://f5.folha.uol.com.br/celebridades/978073-marjorie-estiano-aparece-baixando-calcinha-em-revista.shtml] - acesso: 21/set/2011
*****
Entre os homens que mais “pulam a cerca” estão os empresários (15,2%), contadores (10,7%), programadores de computador (10,2%), engenheiros (9,8%) e advogados (7,2%).
No total, participaram do levantamento 2.879 homens e 2.371 mulheres em todo o país.
[http://noticias.uol.com.br/empregos/ultimas-noticias/2011/10/05/secretarias-e-empresarios-sao-os-profissionais-que-mais-traem-segundo-pesquisa.jhtm]
[Revista Istoé, de 14/set/2011, p. 28 (seção "Semana")]
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"Pesquisa exclusiva revela que (quase) todo mundo já traiu" (na capa da revista VIP de outubro/2011, que traz Marjorie Estiano na capa)
[http://f5.folha.uol.com.br/celebridades/978073-marjorie-estiano-aparece-baixando-calcinha-em-revista.shtml] - acesso: 21/set/2011
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05/10/2011 - 00h00 | Secretárias e empresários são os profissionais que mais traem, segundo pesquisa
Da Redação | Em São Paulo (noticias Uol)
Uma pesquisa realizada com 5.250 usuários brasileiros do The Ohhtel -- site voltado para pessoas que desejam ter relacionamentos extraconjugais -- revelou que as secretárias e recepcionistas (21,3%) estão entre as profissionais que mais utilizam o serviço para se relacionar com outras pessoas comprometidas. Em seguida estão as funcionárias públicas (13,7%), donas de casa (12%), contadoras (10,5%) e enfermeiras (7,6%).Entre os homens que mais “pulam a cerca” estão os empresários (15,2%), contadores (10,7%), programadores de computador (10,2%), engenheiros (9,8%) e advogados (7,2%).
No total, participaram do levantamento 2.879 homens e 2.371 mulheres em todo o país.
[http://noticias.uol.com.br/empregos/ultimas-noticias/2011/10/05/secretarias-e-empresarios-sao-os-profissionais-que-mais-traem-segundo-pesquisa.jhtm]
"Não acredito" (Marcio Thomaz Bastos)
"Sou de uma família extremamente católica, mas não acredito." (Márcio Thomaz Bastos, ex-ministro da Justiça, à revista Innovare, ao responder se acreditava em Deus)
[Fonte: Revista Época, ed. 694, de 05/set/2011, p. 41 (seção "Dois pontos:"]
[Fonte: Revista Época, ed. 694, de 05/set/2011, p. 41 (seção "Dois pontos:"]
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Os dois sábios (Khalil Gibran)
Os dois sábios (Khalil Gibran)
Há muito tempo, na antiga cidade de Afkar, viviam dois sábios que detestavam a sabedoria um do outro e procuravam menosprezá-la. Pois um deles negava a existência dos deuses, enquanto o outro era religioso. Certo dia os dois se encontravam na praça do mercado e, no meio de seus seguidores, começaram a discutir e debater a existência ou não-existência dos deuses. Depois de horas de altercações, eles se separaram.
Naquela noite o cético foi ao templo e prosternou-se diante do altar, rezando e pedindo aos deuses que perdoassem seu passado.
Na mesma hora, o outro sábio, que havia defendido os deuses, queimou seus livros sagrados. Pois havia se tornado cético.
[Khalil Gibran, “O louco”, trad. Dinah Abreu Azevedo, São Paulo, Aquariana, 2003, p. 57 - (Coleção Lado B)]
Há muito tempo, na antiga cidade de Afkar, viviam dois sábios que detestavam a sabedoria um do outro e procuravam menosprezá-la. Pois um deles negava a existência dos deuses, enquanto o outro era religioso. Certo dia os dois se encontravam na praça do mercado e, no meio de seus seguidores, começaram a discutir e debater a existência ou não-existência dos deuses. Depois de horas de altercações, eles se separaram.
Naquela noite o cético foi ao templo e prosternou-se diante do altar, rezando e pedindo aos deuses que perdoassem seu passado.
Na mesma hora, o outro sábio, que havia defendido os deuses, queimou seus livros sagrados. Pois havia se tornado cético.
[Khalil Gibran, “O louco”, trad. Dinah Abreu Azevedo, São Paulo, Aquariana, 2003, p. 57 - (Coleção Lado B)]
sexta-feira, 22 de julho de 2011
"Não invoquem os deuses" (Bias de Priene) e complementação
"Não invoquem os deuses" (Bias de Priene)
Conta-se que certa vez Bias de Priene, um dos conhecidos como "os sete sábios da Grécia", estava numa embarcação, onde se encontravam muitos malfeitores, quando se armou uma tempestade. Os homens, apavorados, puseram-se a rezar, quando Bias os interrompeu: "Por favor, não invoquem os deuses; se eles percebem que vocês todos estão aqui o barco afunda na certa".
[Eduardo Prado de Mendonça, O mundo precisa de filosofia, 3ª ed., Rio de Janeiro, Agir, 1973, p. 39]
*****
Peregrino que agradecia sobreviver a acidente morre atropelado
29/08/2011 - 08h46 | DA FRANCE PRESSE, EM MADRI
Um caminhoneiro que fazia uma peregrinação para agradecer à Virgem dos milagres de Caión por ter sobrevivido a um acidente de trânsito morreu no sábado ao ser atropelado por um carro, informou nesta segunda-feira a prefeitura de Ordes, na Galícia.
Segundo o órgão, o caminhoneiro espanhol de 40 anos seguia a pé por uma estrada secundária com um grupo, no qual estavam duas tias, que também morreram, em direção a Caión, a 30 km de Ordes.
Ele caminhava para agradecer por ter sobrevivido a um acidente de trânsito, mas, com menos de um quilômetro de peregrinação, o grupo foi atropelado. Os três familiares não resistiram aos ferimentos e morreram.
[http://www1.folha.uol.com.br/mundo/966794-peregrino-que-agradecia-sobreviver-a-acidente-morre-atropelado.shtml] acesso: 31/ago/2011
Conta-se que certa vez Bias de Priene, um dos conhecidos como "os sete sábios da Grécia", estava numa embarcação, onde se encontravam muitos malfeitores, quando se armou uma tempestade. Os homens, apavorados, puseram-se a rezar, quando Bias os interrompeu: "Por favor, não invoquem os deuses; se eles percebem que vocês todos estão aqui o barco afunda na certa".
[Eduardo Prado de Mendonça, O mundo precisa de filosofia, 3ª ed., Rio de Janeiro, Agir, 1973, p. 39]
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Peregrino que agradecia sobreviver a acidente morre atropelado
29/08/2011 - 08h46 | DA FRANCE PRESSE, EM MADRI
Um caminhoneiro que fazia uma peregrinação para agradecer à Virgem dos milagres de Caión por ter sobrevivido a um acidente de trânsito morreu no sábado ao ser atropelado por um carro, informou nesta segunda-feira a prefeitura de Ordes, na Galícia.
Segundo o órgão, o caminhoneiro espanhol de 40 anos seguia a pé por uma estrada secundária com um grupo, no qual estavam duas tias, que também morreram, em direção a Caión, a 30 km de Ordes.
Ele caminhava para agradecer por ter sobrevivido a um acidente de trânsito, mas, com menos de um quilômetro de peregrinação, o grupo foi atropelado. Os três familiares não resistiram aos ferimentos e morreram.
[http://www1.folha.uol.com.br/mundo/966794-peregrino-que-agradecia-sobreviver-a-acidente-morre-atropelado.shtml] acesso: 31/ago/2011
quarta-feira, 25 de maio de 2011
As primeiras linhas de Desvendando o arco-íris (R. Dawkins)
"Nós vamos morrer, e isso nos torna afortunados. A maioria das pessoas nunca vai morrer, porque nunca vai nascer. As pessoas potenciais que poderiam estar no meu lugar, mas que jamais verão a luz do dia, são mais numerosas que os grãos de areia da Arábia. Certamente esses fantasmas não nascidos incluem poetas maiores que Keats, cientistas maiores que Newton. Sabemos disso porque o conjunto das pessoas possíveis permitidas pelo nosso DNA excede em muito o conjunto de pessoas reais. Apesar dessas probabilidades assombrosas, somos eu e você, com toda a nossa banalidade, que aqui estamos..."
[Richard Dawkins, "Deus, um delírio", trad. Fernanda Ravagnani, São Paulo, Cia das Letras, 2006, p. ?]
[Richard Dawkins, "Deus, um delírio", trad. Fernanda Ravagnani, São Paulo, Cia das Letras, 2006, p. ?]
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