"Vem, Noite antiqüíssima e idêntica,
Noite Rainha nascida destronada,
Noite igual por dentro ao silêncio, Noite

Com as estrelas lantejoulas rápidas
No teu vestido franjado de Infinito. (...) "
[Álvaro de Campos (F. Pessoa), Fragmento de Ode I, in: "Fernando Pessoa: poesia", por Adolfo Casais Monteiro, 10ª ed., Rio de Janeiro, Agir, 1989, p. 76 (col. Nossos Clássicos)]

"(...) noites como esta, em que já não me será dado viver."
[Jostein Gaarder, "A garota das laranjas", Trad. Luiz Antônio de Araújo, São Paulo, Companhia das Letras, 2005, p. 127 (citação possivelmente de outrem, constante também em alguma página anterior, provavelmente)]
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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Livros, leitores e antileitores (Roberto Damatta) - excertos

Livros, leitores e antileitores (Roberto Damatta) - excertos
 (...)
Tal como as pessoas, os títulos dos livros enganam leitores, bibliotecários e autores. Um sujeito bem vestido e falante, quando devidamente aberto, revela-se uma toupeira ou um Evereste de empáfia. Um nobre ministro surge como um chefe de quadrilha feito por ONGs que desviam dinheiro público para um partido cujo nome remete a abnegados e virtuosos.
Meu colega e amigo, o cientista político Eduardo Raposo, ouviu de seu primo Lobinho a seguinte história: um sujeito chega a uma biblioteca e pede um livro de botânica. O funcionário prontamente lhe apresenta com um sorriso alvar Raízes do Brasil.
(...)
Na esteira dos antileitores, voltei ao Raposo e ele relata que seu primo Lobinho havia feito uma grande descoberta. Na tal biblioteca onde Raízes do Brasil está na estante de botânica, O Idiota surge na de psicologia, A Interpretação dos Sonhos, na de esoterismo; Sobrados e Mucambos está catalogado como engenharia e Montanha Mágica, como astrologia. Já Memórias Póstumas de Brás Cubas entra como kardecismo; Lolita, na lista de livros para moças; A Guerra das Salamandras, em história militar; Cem Anos de Solidão, na prateleira de geriatria; O Cru e o Cozido, na de culinária, e Hamlet, na de receitas inglesas. Já Madame Bovary surge na de pornografia; Os Maias, na de etnologia centro-americana; As Neves do Kilimanjaro, no setor de clima e ecologia; as Viagens de Gulliver, no de turismo; O Poder e a Glória, no de política; e, por fim e para encurtar uma infindável história, Carnavais, Malandros e Heróis, inclassificável por não ser lido, é listado tanto nas obras devotadas às escolas de samba, quanto está na prateleira de fraudes e contravenções.
Tentei interpelar a diretora, mas desisti. Ela é "blindada"!

[http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,livros-leitores-e-antileitores-,796454,0.htm]

sábado, 5 de novembro de 2011

Livros que somem (desaparecem)

Bibliotecas de SP perdem 86,7 mil livros por ano: em 4 anos, um de cada 10 livros sumiu do acervo em SP

Diário do Gde ABC / Agência Estado: sábado, 5 de novembro de 2011 9:33 | 10:00

O acervo cultural de São Paulo perde 86,7 mil livros por ano. Levantamento obtido pelo Estado com dados de 70 bibliotecas e pontos de leitura municipais mostra que 347 mil livros sumiram das prateleiras entre 2006 e 2010. A queda geral nos últimos quatro anos é de 12%. Mas há unidades em que seis de cada dez obras desapareceram.

O número revela que falta manutenção nos acervos municipais, uma vez que os exemplares perdidos não são repostos na proporção equivalente. Em dezembro de 2006, a capital contava com 2,88 milhões de livros - no mesmo período do ano passado, eram 2,53 milhões.

A queda ocorre tanto entre os gêneros adultos quanto entre os dedicados ao público infanto-juvenil, ainda que em menor proporção. E mesmo em locais que contam com telecentros, condição considerada essencial para atrair leitores.

Realizada pela Rede Nossa São Paulo com informações da Secretaria Municipal da Cultura, a pesquisa mostra ainda que apenas 21 unidades seguiram o caminho inverso no período, ou seja, registraram ampliação do estoque. É o caso da Mário de Andrade, a primeira e maior biblioteca pública da capital, fundada em 1925 e reinaugurada em janeiro, após reforma. O ganho foi de 21 mil exemplares. As demais somam prejuízos.

Há pelo menos três motivos que explicam a diferença: conservação inadequada, atraso na devolução dos empréstimos e fatores externos, como enchentes. De acordo com bibliotecários da rede ouvidos pelo Estado, a informatização do sistema que permite a retirada também acelerou a saída de livros das prateleiras públicas. No processo, iniciado em 2008, houve transferência de exemplares para escolas ou mesmo descarte de títulos.

A falta de leitores ainda pode servir como uma "causa extra". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

http://www.dgabc.com.br/News/5924522/em-4-anos-um-de-cada-10-livros-sumiu-do-acervo-em-sp.aspx

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Biblioteca X Universidade (Ray Bradbury)

"Bibliotecas são mais importantes do que universidades. Bibliotecas são livres. E o conhecimento deve ser livre."

[Ray BRADBURY, Folha de SPaulo, 19/set/2010]