"Vem, Noite antiqüíssima e idêntica,
Noite Rainha nascida destronada,
Noite igual por dentro ao silêncio, Noite

Com as estrelas lantejoulas rápidas
No teu vestido franjado de Infinito. (...) "
[Álvaro de Campos (F. Pessoa), Fragmento de Ode I, in: "Fernando Pessoa: poesia", por Adolfo Casais Monteiro, 10ª ed., Rio de Janeiro, Agir, 1989, p. 76 (col. Nossos Clássicos)]

"(...) noites como esta, em que já não me será dado viver."
[Jostein Gaarder, "A garota das laranjas", Trad. Luiz Antônio de Araújo, São Paulo, Companhia das Letras, 2005, p. 127 (citação possivelmente de outrem, constante também em alguma página anterior, provavelmente)]
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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Caveiras bolivianas


Bolivianos celebram 'Festa das Caveiras Humanas' com crânios adornados (UOL)
Crânios são adornados para a 'Festa das Caveiras Humanas' em cemitério de La Paz. Milhares de pessoas da região andina da Bolívia puseram fim a uma semana dedicada aos mortos com essa festa, que é celebrada nos principais cemitérios do planalto andino (Santi Palacios/Efe)

 

http://noticias.uol.com.br/album/111108bolivia_album.jhtm?abrefoto=1

http://noticias.uol.com.br/album/111108bolivia_album.jhtm?abrefoto=2#fotoNav=1

 

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Dia das caveiras: Bolívia (Terra Notícias)

 

Os bolivianos acreditam que guardar em casa crânios de familiares mortos pode trazer boa sorte e os tratam como talismãs, enfeitados e levados ao cemitério para uma missa todos os anos

 

http://noticias.terra.com.br/mundo/fotos/0,,OI176463-EI294,00-Dia+das+Caveiras+bolivianos+enfeitam+cranios+de+parentes+mortos.html

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Mais ossos (Attílio Pessotti)

(...) Mas o mais impressionante e deprimente era o ossário, um grande poço construído na parte mais elevada do terreno, de modo ao não ter água no fundo, com mureta no alto, coberta com laje e tampa removível.

Ao ver outras crianças espiando, não contive a curiosidade e também arrisquei uma espiadela, mas me arrependi. Que visão tétrica, meu Deus! O que era aquilo?! Um monturo de ossadas humanas, despejadas na profundeza daquele poço. Oh! Terrível realidade que eu nunca tinha imaginado. Ossos de tantas formas e tamanhos, uns mais claros, outros mais escuros, marcados pelo tempo, entrelaçados com nesgas de pano que resistiram à decomposição.

Naquela macabra visão estava retratada a terrível realidade da morte. E eu, na minha infantil ingenuidade, achava que se poderia ouvir daquela profundeza alguns gemidos de almas penadas.

[Attílio PESSOTTI, Vila de São Bernardo, São Bernardo do Campo, Secretaria Municipal de Educação e Cultura, 2007, p. 128]

domingo, 5 de setembro de 2010

Ossos (Arnaldo Jabor)

Ossos de avô

"Há dois anos, na exumação de um parente, o coveiro colocou várias caixas de ossos em cima do túmulo. Numa delas, estava escrito a giz 'Arnaldo Hess'. Não resisti e levantei de leve a tampa de zinco. Estavam lá os ossos de vovô. Vi um fêmur, tíbias, que eu toquei com a mão. Vocês não imaginam a infinita alegria de, por segundos, encostar em meu avô querido. Eu estava com ele de novo em 1952, sob o céu azul do Rio."

[Arnaldo JABOR, Amor é prosa, sexo é poesia: crônicas afetivas, Rio de Janeiro, Objetiva, 2004, p. 27]

terça-feira, 6 de julho de 2010

Esse punhado de ossos (Ivan Junqueira)

Esse punhado de ossos

a Moacyr Felix

Esse punhado de ossos que, na areia
Alveja e estala à luz do sol a pino
Moveu-se outrora, esguio e bailarino,
Como se move o sangue numa veia.
Moveu-se em vão, talvez, porque o destino
Lhe foi hostil e, astuto, em sua teia
Bebeu-lhe o vinho e devorou-lhe à ceia
O que havia de raro e de mais fino.
Foram damas tais ossos, foram reis,
E príncipes e bispos e donzelas,
Mas de todos a morte apenas fez
A tábua rasa do asco e das mazelas.
E ali, na areia anônima, eles moram.
Ninguém os escuta. Os ossos não choram.

[Ivan Junqueira. Coletado do livro "Os cem melhores poemas brasileiros do século" ou algo equivalente. A pontuação e as maiúsculas no início de cada estrofe pode não corresponder ao que foi publicado, pois esse poema foi transcrito várias vezes em diversos suportes antes de vir parar aqui]