"Vem, Noite antiqüíssima e idêntica,
Noite Rainha nascida destronada,
Noite igual por dentro ao silêncio, Noite

Com as estrelas lantejoulas rápidas
No teu vestido franjado de Infinito. (...) "
[Álvaro de Campos (F. Pessoa), Fragmento de Ode I, in: "Fernando Pessoa: poesia", por Adolfo Casais Monteiro, 10ª ed., Rio de Janeiro, Agir, 1989, p. 76 (col. Nossos Clássicos)]

"(...) noites como esta, em que já não me será dado viver."
[Jostein Gaarder, "A garota das laranjas", Trad. Luiz Antônio de Araújo, São Paulo, Companhia das Letras, 2005, p. 127 (citação possivelmente de outrem, constante também em alguma página anterior, provavelmente)]
_____________________________________________________________________________________________________
Mostrando postagens com marcador preconceito. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador preconceito. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Prostituição e preconceito (Contardo Calligaris)

(...)

"Inevitavelmente, o argumento ressuscita o preconceito segundo o qual a condição da vítima faria diferença na hora de decidir se houve crime contra ela ou não. É o ranço das turmas de bêbados frustrados do sábado à noite: com prostituta e travesti de beira de estrada vale tudo, pois, de qualquer forma, eles se dão para todos, não é?

Mas não é só isso: o cliente de uma prostituta de 12 anos é, no mínimo, cúmplice da violência de quem, direta ou indiretamente, levou a menina a se prostituir.

Claro, a prostituição pode ser uma escolha livre, mas essa liberdade, em nossa cultura, só pode ser reconhecida a quem é maior de 18 anos - certamente não a meninas de 12. (...)

(...)

[Contardo Calligaris, "Estrupo de menores", Folha de São Paulo, 12/abr/2012, caderno Ilustrada, p. E14]

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Raças na espécie humana?

Raças na espécie humana?

Por evolução, quando grupos de indivíduos (populações) vivem separados há muito tempo podem passar a apresentar várias diferenças entre si. Nesse caso, dizemos que eles formam subespécies ou raças geográficas. Se continuarem separadas, essas populações podem formar novas espécies.

Enquanto as espécies são identificadas por dois nomes (Homo erectus, Homo habilis etc.), as subespécies são identificadas por três. A cascavel brasileira, por exemplo, é chamada Crotalus terrificus terrificus e a cascavel da Venezuela, Crotalus terrificus durissus. Ambas pertencem à mesma espécie: Crotalus terrificus.

Para afirmar que duas populações pertencem a raças ou subespécies diferentes, é necessário que haja certo número de características genéticas que, em conjunto, sejam exclusivas de uma das populações. No caso da espécie humana, porém, a diferença genética entre as populações é muito pequena. Entre duas pessoas escolhidas ao acaso, a diferença entre seus genes é de apenas 0,2%.

Não houve entre os seres humanos isolamento geográfico por tempo suficiente para formar raças ou subespécies. Na realidade, há apenas uma raça, a raça humana.

A idéia de “raça pura” é absurda e indesejável, pois a variedade genética em uma espécie é importante para sua sobrevivência. E também é absurdo falar em “raça superior”, ignorando a grande diversidade genética em cada população.

O racismo, isto é, a idéia de que há raças superiores a outras, não tem base científica. Ele serve apenas de pretexto para justificar a dominação e a exploração de um grupo por outro.

[Fernando Gewandsznajder, Ulisses Capozzoli, Origem e história da vida, 12ª ed., São Paulo, Ática, 2005, p. 45]

sábado, 10 de dezembro de 2011

Evangélicos, gays, e o inferno (Marcelo Carneiro da Cunha)

Evangélicos, gays, e o inferno

sexta, 9 de dezembro de 2011, 08h07

 Marcelo Carneiro da Cunha | De São Paulo (site Terra)

Na minha visão do inferno, estimados leitores, o calor é porto-alegrense, a comida é de bufê por quilo, a música se alterna entre o sertanejo universitário, o axé e um mix dos melhores momentos de Los Hermanos e Legião Urbana. A melhor parte é que as únicas opções de conversa são o Silas Malafaia, a Benedita da Silva, o Magno Malta e Anthony Garotinho.
Assim é o inferno, lugar tão dantesco que o diabo mesmo se mandou, após uma candidatura bem sucedida ao Senado pelo PR de qualquer estado. O inferno é o lugar para onde os evangélicos acreditam que eu, você, o senhor aqui ao lado, todos vão, se forem gays. Evangélicos sentem muito, muito medo dos gays.
Os nazistas também sentiam muito medo dos judeus. Os turcos sentiam muito medo dos armênios. Os brancos do sul dos Estados Unidos sentiam muito, muito medo dos negros. Os hutu tinham muito medo dos tutsi. Os fundamentalistas islâmicos morrem de medo das mulheres, dos adúlteros, ah, e dos gays. Os brancos têm muito medo dos indígenas. Os destros sentem medo dos canhotos. Os japoneses já tiveram medo dos coreanos e chineses, assim como os israelenses não atravessam a rua se do outro lado vier um palestino, e, nesse caso, ao que parece, o medo é recíproco.
Magno Malta, que sim, é um senador da República, além dos bicos que faz de papagaio de pirata da Dilma, tem medo de que o Brasil vire um império gay.
O inferno, caros leitores, é o lugar criado especialmente para se armazenar os nossos medos, todos eles. Os medrosos nada mais querem do que transformar a vida de todos em um inferno. A tal de frente evangélica quer transformar a nossa vida em um inferno, tudo graças ao medo.
Quem é mediado pelo medo não é capaz de dar um passo em direção ao que não conheça. E quem é ignorante, tem medo de tudo, exatamente por ser ignorante. Quem, além de ignorante, recebe uma bíblia e todas as certezas do mundo, sente o seu medo se transformar em ódio e intolerância. E é isso que vivemos, graças a esses representantes do pior, instalados de maneira muito equivocada em um parlamento democrático.
A democracia, ora vejam, caros leitores, não é simplesmente o sistema que representa a maioria. A democracia se define por ser o sistema que defende os interesses de todos. Ela preserva, acima de tudo, os direitos das minorias. As maiorias não precisam tanto assim de proteção, concordam?
O nosso sistema democrático está sendo ameaçado por gente que não acredita em direitos dos demais, porque, na sua ignorância total e totalitária, se acredita dona da razão. Isso seria engraçado, se não fosse aqui e agora. Gente que vive na mais completa ignorância se achando dona da razão, algo de que abdicaram em troca das suas certezas. O que, mas o que mesmo, gente do calibre de um Garotinho, de uma Benedita, de um Magno Malta, podem ter a acrescentar ao que quer que valha a pena ver e ouvir?
Eles vêm nos dizer que aqui, diferentemente do Irã, existem gays e eles são o mal. O que você acha disso, nobre leitor? Você acha que o mal é culpa dos gays? Ou dos judeus, dos palestinos, dos negros, dos indígenas, dos tutsis, das mulheres, dos coreanos, dos chineses, dos canhotos, dos armênios ou dos Carneiro da Cunha? O mal é frequentemente praticado por gente ruim. Olhe a foto de um Jean Wyllys, e então olhe a foto de um Malafaia, de um Garotinho, de um Magno Malta ou de um Wellington Jr. Quem lhe parece mais capaz de fazer maldades com a mais total tranquilidade?
A nossa Constituição é o nosso maior e melhor documento anti-inferno. Ela diz que somos todos iguais perante o estado e a lei. Olhem bem: todos. Até mesmo o Malta e Garotinho, até mesmo esses seres desdotados da mínima capacidade de leitura do que não for uma velha e inútil bíblia, se estamos em uma república laica. Todos, todos iguais.
Eu não acho que os Malafaia, Garotinho, Malta ou Benedita sejam iguais a mim, porque eu acredito na igualdade e eles não. Eu acredito na bondade e eles não. Tanto eles não acreditam na bondade, que não aceitam a lei que torna a homofobia um crime. Se eles não querem a lei, é porque querem manter o direito de praticar a odiosa homofobia, como fazem nas suas seitas. Querem o direito equivalente ao direito de praticar o racismo, a discriminação e o sexismo, que não existe.
Eles querem, basicamente, que o nosso mundo se transforme num inferno sobre a Terra. Normalmente, eu não acredito no inferno. Olhar para eles me faz acreditar, se não na sua existência, então na sua possibilidade. Eu não quero que essa possibilidade seja vencedora. Existe muita beleza em toda parte, nesse mundo de tantas partes. Se eles não vêem, nós vemos. E, quem vê, ora vejam, vence.
[http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI5510176-EI8423,00-Evangelicos+gays+e+o+inferno.html]

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Rosa Louise McCauley ou Rosa Parks (1913 - 2005 | costureira - EUA)


Rosa Louise McCauley ou Rosa Parks (1913 - 2005 | costureira - EUA)

Costureira negra norte-americana. Símbolo do movimento dos direitos civis dos negros nos EUA. Em 01/dez/1955 recusou-se a ceder o seu lugar no ônibus a um branco, ato que se tornaria o estopim do movimento denominado “Boicote aos ônibus de Montgomery” e que posteriormente viria a marcar o início da luta antissegregacionista.

Foto: [http://thebeatdfw.com/word-on-the-street/beatallstars/black-history-month-rosa-parks/ - acesso: 05/set/2011]
Fonte (texto adaptado): [http://pt.wikipedia.org/wiki/Rosa_Parks - acesso: 05/set/2011]

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Blues para EMMETT LOUIS TILL (Vinicius de Moraes)

Blues para EMMETT LOUIS TILL
(o negrinho americano que ousou assoviar para uma mulher branca)

Os assassinos de Emmett
- Poor Mamma Till!
Chegaram sem avisar
- Poor Mamma Till!
Mascando cacos de vidro
- Poor Mamma Till!
Com suas caras de cal

Os assassinos de Emmett
- Poor Mamma Till!
Entraram sem dizer nada
- Poor Mamma Till!
Com seu hálito de couro
- Poor Mamma Till!
E seus olhos de punhal

- I hate to see that evenin’sun go down...

Os assassinos de Emmett
- Poor Mamma Till!
Quando o viram ajoelhado
- Poor Mamma Till!
Descarregaram-lhe em cima
- Poor Mamma Till!
O fogo de suas armas

Enquanto contendo o orgasmo
- Poor Mamma Till!
A mulher faz um guisado
- Poor Mamma Till!
Para esperar o marido
- Poor Mamma Till!
Que a seu mando foi vingá-la.

- O how I hate to see that evenin’sun go dow...

[Vinicius de Moraes, Para viver um grande amor: crônicas e poemas, 1ª ed., Rio de Janeiro, Mediafashion, 2008, pp. 142-3 (Coleção Folha Grandes Escritores Brasileiros, v. 9)]