"Vem, Noite antiqüíssima e idêntica,
Noite Rainha nascida destronada,
Noite igual por dentro ao silêncio, Noite

Com as estrelas lantejoulas rápidas
No teu vestido franjado de Infinito. (...) "
[Álvaro de Campos (F. Pessoa), Fragmento de Ode I, in: "Fernando Pessoa: poesia", por Adolfo Casais Monteiro, 10ª ed., Rio de Janeiro, Agir, 1989, p. 76 (col. Nossos Clássicos)]

"(...) noites como esta, em que já não me será dado viver."
[Jostein Gaarder, "A garota das laranjas", Trad. Luiz Antônio de Araújo, São Paulo, Companhia das Letras, 2005, p. 127 (citação possivelmente de outrem, constante também em alguma página anterior, provavelmente)]
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quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

O amor, antes e depois - Mildred e Philip (Somerset Maugham)


O amor (ou coisa equivalente) antes

(...) a desusada ternura de seus olhos o enchia de alegria. Ele sabia por instinto que era loucura entregar-se-lhe nas mãos; sua única esperança estava em tratá-la com desapego e nunca permitir que Mildred visse a paixão indomável que lhe fervia no peito. Ela não faria senão aproveitar-se de sua fraqueza; mas nesse momento não podia conduzir-se com prudência: disse-lhe toda a agonia que suportava durante a separação; contou-lhe de suas lutas íntimas, de como tentara dominar aquela paixão, e de como, pensando havê-lo conseguido, descobrira no fim que ela estava mais forte do que nunca. Sabia que jamais quisera realmente livrar-se dela. Amava Mildred de tal maneira que não lhe importava o sofrer. Pôs o coração a nu diante dela. Mostrou-lhe, com orgulho, toda a sua fraqueza.
(pp. 328-9)

 
O amor (ou algo que o valha) depois

 - Não me queira mal. A gente não pode evitar essas coisas. Lembro-me de que lhe achava malvada e cruel porque fazia isto, isso e mais aquilo. Mas era grande tolice minha. Você não me amava e era absurdo acusar você por isso. Pensei que podia fazer com que me amasse, mas vejo agora que tal coisa era impossível. Não sei o que é que faz os outros amarem a gente, mas seja o que for, é a única coisa que importa, e quando ela não existe, não podemos criá-la com bondade, generosidade ou coisa que o valha.
(p. 537)

[W. Somerset Maugham, Servidão humana, trad. Antônio Barata, prefácio Carlos Vogt, 10ª ed. rev., Ed. Globo, São Paulo, 2005 (2ª reimpr. 2009)]

terça-feira, 13 de março de 2012

Sinais de paixão ou Você está apaixonado? (SUZANA HERCULANO-HOUZEL)

Você está apaixonado? (SUZANA HERCULANO-HOUZEL)



A lista abaixo pode ajudar você a fazer um diagnóstico desse seu estado de atenção concentrada

Ah, a paixão. Não se trata de um mero sentimento: de acordo com a antropóloga Helen Fisher, a paixão é um estado particular de hipermotivação e atenção concentrada na pessoa querida. E transcende culturas

-seus sinais são os mesmos em qualquer lugar, entre eles:

- pensamentos obsessivos e intrusivos a respeito de uma única pessoa, como se seu cérebro não conseguisse afastar sua ideia da mente;

- motivação aumentada quanto a tudo o que puder colocá-lo na presença dessa pessoa, seja atravessar a cidade à noite ou fazer mágicas para conseguir uma passagem de avião;

- necessidade diminuída de sono, pois qualquer oportunidade de ficar acordado na presença daquela pessoa (ou de sua voz, ou mesmo só de frases por chat) é imperdível;

- sensação de euforia em sua presença, acompanhada de otimismo incorrigível e um sorriso bobo no rosto;

- olhar fixado no outro, que rouba o foco da sua atenção e torna tudo o mais ao redor irrelevante;

- necessidade de tocar no outro, acompanhada de manifestações fisiológicas variadas (coração disparado, pele eletrizada) e desejo sexual irresistível;

- ideação constante sobre futuros possíveis com essa pessoa especial;

- angústia da separação, uma ansiedade terrível em resposta a meros pensamentos sobre distanciamento e, eventualmente, morte da pessoa em questão.

Quem já esteve profundamente apaixonado se reconhecerá nessa lista e quem está em dúvida pode tentar se "diagnosticar".

Pessoalmente, acho que a angústia da separação é uma maneira excelente de tirar a dúvida se o amor ou a paixão são verdadeiros. Faça uma lista mental de pessoas do seu conhecimento e, em segredo e de maneira totalmente hipotética, "mate-as" uma a uma. A morte do síndico ou de seu chefe não o deve incomodar muito; a morte de um tio talvez seja lamentável, mas suportável. Já a morte de seu filho ou daquela pessoa em especial... bingo!

A ressonância magnética hoje confirma as suspeitas de Fisher: o cérebro apaixonado tem seu sistema de recompensa e motivação, centrado no estriado ventral, hiperativado por tudo o que é direta ou vagamente relacionado ao objeto do desejo. Tudo a seu respeito é maravilhoso, desejável e certamente digno dos maiores esforços.

Conhecer suas origens no estriado ventral torna a paixão menos maravilhosa? Nem um pouco, eu diria. Se esse pedacinho de nada do meu cérebro pode me fazer sentir assim... uau!

SUZANA HERCULANO-HOUZEL é neurocientista, professora da UFRJ e autora do livro "Pílulas de Neurociência para uma Vida Melhor" (ed. Sextante) e do blog www.suzanaherculanohouzel.com

http://sergyovitro.blogspot.com/2012/03/suzana-herculano-houzel-voce-esta.html

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Amores proibidos na História do Brasil - Trecho (Maurício Oliveira)

Amores proibidos na História do Brasil - Trecho (Maurício Oliveira)
Escrito pelo jornalista Maurício Oliveira, "Amores Proibidos na História do Brasil" narra conturbados romances de importantes personagens da história. O livro apresenta brigas, traições, separações e juras de amor.
[Trecho do livro “Amores proibidos na história do Brasil, Maurício Oliveira, Ed. Contexto]
Amores proibidos nunca foram fáceis. Por influência de algum mecanismo insensato da psiquê humana, as paixões se tornam ainda mais sedutoras, perturbadoras e atraentes quando há algum impedimento para que se realizem em toda sua plenitude. É justamente na impossibilidade de se entregar plenamente ao outro que o mais nobre dos sentimentos acaba muitas vezes se confundindo com os seus opostos, a dor e o sofrimento.
Não deixa de ser curioso, no entanto, que essa dubiedade tenha sido responsável ao longo dos tempos por impulsionar e mudar os rumos da humanidade. Quantas guerras e decisões políticas terão sido secretamente motivadas por um amor proibido? A criação artística também se abastece amplamente dessa fonte. A música, o teatro, a dança, a literatura, todas essas formas de expressão se inspiram com muito mais frequência em angustiantes paixões não correspondidas e amores rompidos do que na tranquila sensação de viver um amor sem complicações.
Ao descrever paixões vividas por personalidades da história do Brasil, este livro evidencia que, quando se trata de assuntos do co ração, todos são gente como a gente, sujeitos a erros e acertos, dúvidas e certezas. Apresentadas em conjunto, as histórias formam um panorama dos nossos mais conhecidos e importantes amores proibidos. Os sete relacionamentos incluídos trazem, como ponto em comum, o fato de terem brotado em meio a grandes obstáculos - adultério, conflitos de classe, preconceitos, convenções sociais ou disputas por poder.
A primeira história é sobre o surpreendente relacionamento entre o rico contratador de diamantes João Fernandes e a escrava Chica da Silva. Fernandes podia escolher qualquer sinhazinha como esposa - havia uma fila de pretendentes -, mas encantou-se com Chica quando a viu pela primeira vez, em 1753. Era um relacionamento proibido por dois fatores. O primeiro, de ordem prática, é que ela pertencia a outro homem, um influente juiz da região do Arraial do Tejuco, atual cidade de Diamantina, em Minas Gerais. O segundo é que não era comum à época que um homem branco e rico escolhesse uma escrava como esposa - muitos tiravam proveito sexual das suas escravas, mas não assumiam essas relações e muito menos os filhos resultantes delas. João Fernandes precisou de firmeza e coragem para subverter os padrões vigentes.
No caso de Dom Pedro I e Domitila Castro, que se tornaria mais conhecida como marquesa de Santos, o maior impedimento para a relação, iniciada em 1822, era o fato de o príncipe ser casado com Leopoldina. Quando a esposa de Dom Pedro morreu, ainda muito jovem, os problemas passaram a ser outros. Havia uma grande oposição popular à possibilidade de uma união dele com sua amante, considerada responsável pelo adoecimento da imperatriz.
Além do mais, Dom Pedro sentia a necessidade de estabelecer uma nova aliança estratégica com uma família nobre europeia, como de fato acabou ocorrendo. Domitila, que talvez tenha sido a única mulher que o príncipe verdadeiramente amou, não cabia nesses planos. Assim, a ardente e intensa paixão entre os dois chegou ao fim depois de sete anos.
Motivos para considerar proibido o amor entre Giuseppe e Anita Garibaldi também não faltam. Quando o revolucionário italiano conheceu a jovem na cidade catarinense de Laguna, em 1839, ela era casada. Além disso, Anita se envolveria em uma série de aventuras à margem da lei ao seguir Giuseppe. Essas mesmas circunstâncias podem ser evocadas para descrever a origem do relacionamento entre Lampião e Maria Bonita, em 1930. Ela também era casada e, por amor, aceitou se submeter à vida errante dos cangaceiros. Tanto Anita quanto Maria Bonita pagaram com a vida pelas escolhas feitas.
No que diz respeito a Joaquim Nabuco e Eufrásia Teixeira Leite, o amor se tornou proibido não porque um dos dois fosse comprometido - ao contrário, ambos eram livres quando se conheceram, em 1873 -, mas por uma série de desencontros de expectativas e diferenças de opinião. No início, a maior polêmica parecia ser o grau de intimidade permitido para o namoro. Logo outros impasses bem mais complexos surgiriam, contudo. Eufrásia era muito rica e tinha medo de que o bon vivant Joaquim torrasse a fortuna que ela havia herdado do pai. Outro empecilho para o casamento é que ela não aceitava morar em outro lugar que não fosse Paris, enquanto ele não imaginava seu futuro distante do Brasil. Além do mais, Eufrásia vinha de uma família com tradição escravocrata e Joaquim se tornaria justamente o maior líder do movimento abolicionista. De impasse em impasse, 15 anos se passaram - até que Joaquim, cansado de esperar, decidiu se casar com outra.
Chiquinha Gonzaga teve que enfrentar o preconceito social contra a diferença de idade ao se apaixonar por Joãozinho, 36 anos mais jovem, em 1899. Mulher independente e realizadora, ela já havia superado uma série de dificuldades, como separar-se de dois maridos e conquistar um espaço até então inédito para mulheres no cenário musical brasileiro. Mesmo com esse histórico, Chiquinha não encontrou forças para assumir de peito aberto o relacionamento com o rapaz. Preferiu divulgar a versão de que Joãozinho era seu filho, sustentada até o final da vida, quase quatro décadas depois - período em que o rapaz se manteve como seu companheiro fiel e inseparável, contrariando todos os prognósticos de quem imaginava um relacionamento breve.
Já o amor entre Oswald de Andrade e Pagu surgiu tão intenso que todo mundo imaginou que duraria para sempre. Em 1928, aos 40 anos, ele deixou a mulher, a pintora Tarsila do Amaral, para viver com a jovem escritora. O relacionamento começara sob o estigma do adultério, um fantasma que jamais deixaria de existir entre eles, pois Oswald mantinha relacionamentos com outras mulheres mesmo depois de casado com Pagu. Sob as bênçãos do modernismo, que tinha como uma das premissas o rompimento com a tradição romântica, ele queria que Pagu concordasse placidamente com essa situação, mas sem ter direito ao mesmo grau de liberdade. Outro elemento complicador da relação foi a entrega de Pagu à militância comunista - o partido vivia na clandestinidade e ela foi presa inúmeras vezes. A relação não resistiu a tantas turbulências e se desfez depois de sete anos.
Quando tomamos conhecimento dos detalhes de todas essas histórias, uma questão logo se impõe: será que essas pessoas se arrependeram de ter vivido casos de amor tão intensos e sofridos? Teriam preferido uma trajetória mais tranquila, mais segura, sem tantos sobressaltos? Ou o amor sempre vale a pena, independentemente dos obstáculos e das dores que fazem parte do pacote? Talvez essa resposta, leitor, caiba a você. Boa viagem ao fascinante universo dos amores proibidos.
[Trecho do livro “Amores proibidos na história do Brasil, Maurício Oliveira, Ed. Contexto]

[http://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/1046667-leia-trecho-de-amores-proibidos-na-historia-do-brasil.shtml]

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Baita ciumeira (Rodolfo de Souza)

Baita ciumeira (Rodolfo de Souza - Diário do Grande ABC)

27/09/2010

O ciúme é um sentimento perverso, capaz de confundir o próprio ciumento

O ciúme é um sentimento perverso, capaz de confundir o próprio ciumento. Não são palavras de psicólogo, psiquiatra ou outro profissional habituado a lidar com gente doida. Perdão, doída. O diagnóstico parte, na verdade, de um observador de longa data, perplexo com a atitude do ser humano do sexo feminino, por exemplo, irritado, feroz, até violento, com a corriqueira viradinha de cabeça à passagem de um belo e insinuante corpo escultural.

É comum, inclusive, o estalo de um tapa a encher de sonoridade o ar, intenção clara de retornar o rosto à posição inicial. Beliscões silenciosos e pisadas escandalosas também são recursos utilizados por meninas de qualquer idade.

Certa vez presenciei uma cena que me encheu de consternação e revolta: uma garota pisou, com toda a força de sua raiva, o pé do namorado que desviara discretamente a atenção da conversa para um bumbum faceiro que transitava pelo local. Pude sentir na expressão de dor do rapaz o peso do salto alto. Agressão justificada porque, com toda a certeza, na intimidade, a fêmea em questão tinha seu pensamento todo voltado para o jovem e cocho mancebo, sem espaço para qualquer outro belo exemplar da espécie.

Coisas de mulher? Qual o quê. Macho que é macho, também, não permite que seu bem suspire fundo depois daquela vista d'olhos que o sexo oposto dá quando está diante de um sujeito sarado. É imperceptível aquele movimento ligeiro de olhar, sem mover a face. Mas o que denuncia mesmo é o bendito suspiro. Às vezes uma blusinha justa também auxilia no delato que enfurece o companheiro, como se em sua mente, da mesma forma, pairasse somente a imaculada figura de sua amada.

Hipocrisia desmesurada, pois, conveniências à parte, manifestações exageradas de ciúmes tendem a ruir o que poderia ser um bom relacionamento, tolerante e empático.

É natural que haja comprometimento de ambas as partes quando na relação prevalece o amor, por meio do qual naturalmente vem o respeito. A fidelidade, então, é só consequência, que não pode ser exigida. Se imposta, a união não tem razão de ser, inexiste.

A situação de constante vigilância com excesso no cuidado é fruto da insegurança da pessoa que não confia em si e entra sempre em pânico ao imaginar a outra em cama alheia. Rejeição difícil de suportar que por certo a torna ainda mais frágil. Afinal, são seres frágeis que não aprenderam que quem ama liberta, pois que a liberdade é essencial na vida e no amor.

Rodolfo de Souza nasceu e morou por 44 anos em Santo André, onde trabalhou no setor de logística de várias empresas e se formou professor. Há 8 anos reside em Peruíbe, Litoral Sul. E-mail para esta coluna: souza.rodolfo@hotmail.com.

[http://www.dgabc.com.br/Columnists/Posts/57/4666/baita-ciumeira.aspx]

sábado, 5 de novembro de 2011

Religiosos X religiosos II

Impasse religioso impede que família seja sepultada junta

 Do UOL Notícias Em São Paulo | 04/11/2011 - 15h09 / Atualizada 04/11/2011 - 18h48

 Por conta de um impasse religioso, o evangélico luterano Irineu Wasen, 60, teve de ser enterrado fora do cemitério católico do município de Poço das Antas (RS), onde a mulher, Eunice Teresinha Ely, 58, e a sogra Carmelita Maria Ely, 78, foram sepultadas. Os três morreram em um acidente de trânsito na rodovia Tabaí-Lajeado (BR-386) no feriado de Finados, na quarta-feira (2).

Abalada pela perda trágica de três pessoas da família, a filha de Irineu, Paola Wasen, queria que todos fossem sepultados no cemitério católico em Poço das Antas, cidade de origem das mulheres. Porém, apenas elas puderam ser enterradas no local, na manhã de ontem (3).

 De acordo com o padre João Paulo Schäfer, responsável pela paróquia e pelo cemitério, Irineu era evangélico e, portanto, não poderia ser enterrado junto à mulher.

 "É uma norma da igreja que não podemos quebrar. Só podemos sepultar em nosso cemitério pessoas católicas que contribuem e estejam em dia com a taxa anual. Expliquei isso para a família, e eles entenderam", disse o padre, que ainda afirmou não poder abrir exceções.

 A negativa e a busca por outro local para sepultar Irineu abalou ainda mais a família. "Foi uma espera angustiante. A filha queria muito que os pais fossem enterrados no mesmo local", disse Cleris Elizabete Flach, parente das vítimas.

"Com uma tristeza dessas, três pessoas da mesma família perdem a vida, e não há quem se sensibilize por isso", afirmou Marlise Meyer, amiga da família.

O corpo de Irineu foi levado para a cidade natal do empresário, Teutônia, no Vale do Taquari. Na tarde de ontem, a família acompanhou a cerimônia fúnebre no cemitério da comunidade de Linha Clara, interior do município, mesmo local em que os avós de Irineu já estão sepultados.

Irineu, Eunice e Carmelita moravam na capital e passaram o feriado de Finados em Poço das Antas para visitar a família e também prestar homenagens a parentes já falecidos. Retornavam para Porto Alegre quando o carro em que estavam bateu em uma caminhonete no km 377 da rodovia Lajeado-Tabaí, perto do trevo de acesso ao município de Paverama.

* Com informações do site Amai-vos.
http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2011/11/04/impasse-religioso-impede-que-familia-seja-sepultada-junta.jhtm

domingo, 16 de outubro de 2011

Sexo em família I (incesto voluntário: entre irmãos / entre pai e filha)

Irmãos flagrados fazendo sexo em estação escapam de pena de prisão

14/10/2011 17h11 - Portal G1

Richard e Kirsty foram pegos por câmera de segurança em Motherwell. Ele pegou dois anos de condicional, e ela, um ano com aconselhamento.

Os irmãos britânicos Richard Finlayson, de 21 anos, e sua irmã Kirsty, de 18, que foram flagrados fazendo sexo na estação de trens de Motherwell, escaparam de receber sentenças de prisão.

Richard ficou em liberdade condicional por dois anos e terá de cumprir os termos previstos no Ato de Agressores Sexuais.

Já Kirsty pegou um ano de liberdade condicional e vai receber aconselhamento psicológico, tratamento contra uso de drogas e ajuda para conseguir emprego.

Kirsty, que tinha 17 anos quando ocorreu o caso, chegou a ser expulsa de casa no mês passado.

As cenas envolvendo Kirsty e Richard foram registradas pelas câmeras de segurança da estação no mês de junho. Eles confessaram.

O caso de incesto provocou indignação de vizinhos. "É repugnante", afirmou um morador.

"Isso mudou minha vida para sempre", disse Richard ao tabloide "The Sun". "Desejaria poder voltar no tempo."

[http://g1.globo.com/planeta-bizarro/noticia/2011/10/irmaos-flagrados-fazendo-sexo-em-estacao-escapam-de-pena-de-prisao.html]
*****
Veja também:
Pai e filha condenados por incesto reatam o romance e vão presos na Inglaterra: Pela retomada da relação proibida, Andrew foi condenado a dez meses de prisão
[http://www.meionorte.com/noticias/internacional/pai-e-filha-condenados-por-incesto-reatam-o-romance-e-vao-presos-na-inglaterra-140234.html]

quarta-feira, 4 de maio de 2011

O que há de mais belo na Terra (Safo)

“Alguns dizem que o que há de mais belo na Terra é um esquadrão de cavalaria; outros, um exército de guerreiros apeados; outros ainda, uma esquadra de navios; mas o mais belo é ser amado por quem o coração suspira.”

[atribuído(a) a SAFO, http://www.latim.ufsc.br/Mulheres%20de%20Lesbos.html - acesso: 04/05/2011]

constava também no livro "filosofia para principiantes"

Folha seca (Roseana Murray)

Folha Seca

Amor não correspondido
vai virando tudo em deserto
vai calando a voz do mundo
vai tirando água a sua nascente
amor não correspondido
vai tornando em folha seca
tudo que toca com os dedos
até perder seus espinhos
e se deixar morrer nos vãos
de uma tarde qualquer

[Roseana Murray (texto), Sara Ávila (arte), "Fruta no ponto", 9ª ed., São Paulo, FTD, 1997, p. 25 (Coleção falas poéticas)]

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

O desejo de amar / Three passions (B. Russell)


“Três paixões, simples mas irresistivelmente fortes, governaram a minha vida: o desejo de amar, a busca do conhecimento e uma compaixão insuportável pelo sofrimento da humanidade. Essas paixões, como grandes ventanias, me levaram para cá e para lá, num curso obstinado, sobre um profundo oceano de angústia que chegava às raias do desespero.


Eu busquei o amor, primeiro, porque ele produz o êxtase - êxtase tão grande, que muitas vezes eu sacrificava tudo o mais na vida por umas poucas horas dessa alegria. Eu o busquei, também, porque ele aliviava a solidão - essa terrível solidão de uma consciência despedaçada que olha por sobre a borda do mundo e vê um abismo sem vida, frio e insondável. Eu o busquei, finalmente, porque, na união amorosa, eu vi, numa miniatura mística, a imagem dos céus que santos e poetas imaginaram. Foi o que busquei e, embora possa parecer bom demais para a vida humana, foi o que - finalmente - eu encontrei.”


[Bertrand Russell, O melhor de Bertrand Russell: silhuetas satíricas, Robert E. Egner (selec.), Pedro Jorgensen Jr. (trad.), Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 2000, p. 164]

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Tobias Barreto: Amar

Amar (Tobias Barreto)

Amar é fazer o ninho,
Que duas almas contém,
Ter medo de estar sozinho,
Dizer com lágrimas: vem,
Flor, querida, noiva, esposa…
Cabemos na mesma lousa…
Julieta, eu seu Romeu:
Correr, gritar: onde vamos?
Que luz! que cheiro! onde estamos?
E ouvir uma voz: no céu!

Vagar em campos floridos
Que a terra mesma não tem;
Chegamos loucos, perdidos
Onde não chega ninguém…
E, ao pé de correntes calmas,
Que espelham virentes palmas,
Dizer-te: senta-te aqui;
E além, na margem sombria,
Ver uma corça bravia,
Pasmada olhando pra ti!

[A mim pareciam sempre adequados, mais que o resto, os quatro primeiros versos da última estrofe. Tempos que já se foram e continuam a se distanciar. Como o cheiro de um recém-nascido quando acaba de sair do ventre materno (duas inesquecíveis experiências), o sentimento do instante também não se pode "gravar" e/ou "capturar" como numa foto. Uma pena. Originalmente vieram, só os quatro referidos versos, em um livro a mim oferecido, sem dedicatória para não comprometimento, na ocasião (final de 2002) ganhei ainda um outro livro no mesmo estilo. Posteriormente os dois sumiram da minha estante, de metal à época. Ainda depois tive acesso ao poema completo, se não me engano, em uma antiga coletânea de poesia que minha também já não é mais. Os livros, como o amor, devem ser ofertados oportunamente. E dá-lhe andorinha que fizeste... É só questão de o escrevinhador se acostumar com os processos e procedimentos do cartório, dentro de um ano ou menos já dá para orientar as novas estagiárias contratadas pelos escritórios, e somente a respeito do andamento processual, pois nada sabemos a respeito da vida e do mundo e, ainda que soubéssemos não saberíamos,todavia, comunicar. Por fim, convém que essas lindas meninas e/ou moças não se desavenham por tua causa, infelicidade (FN, adapt)]

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Oswald, Pagu, Tarsila e Waldemar (Lia Zatz)

O Oswald era vinte anos mais velho que a Pagu, quer dizer, era homem feito, quando ela era ainda adolescente e normalista. Quando eles se conheceram, ele já tinha tido vários relacionamentos e estava casado com a pintora Tarsila do Amaral. (...) Pagu ficou íntima de Tarsila de Oswald, não faltava em uma reunião de sua casa. Os homens babavam por ela. Os que escreviam, faziam poemas para ela. Os que pintavam, faziam retratos dela. (...) Pagu estava com dezoito anos. Oswald, com trinta e oito. Tarsila, com quarenta e dois. (...) Era muita badalação para uma garota de dezoito anos, não era não Pagu? Como resistir aos olhos espichados do Oswald para o seu lado? Eles começaram a ter encontros secretos. E fizeram um diário juntos: escreviam bilhetes um pro outro, poemas, cartas. Oswald a chamava de Bebé, ela o chamava de Valdinho. Estavam apaixonados, ora se não estavam! Até que... Pagu ficou grávida! Do Oswald. Mulher solteira, grávida? De um homem casado? Amiga da mulher do homem casado? Naquela época? (...) “Se o lar de Tarsila vacila é pelo angu da Pagu” [piada-poema escrita por Oswald num guardanapo de restaurante]. Oswald convenceu um amigo e irmão de criação de Tarsila, um pintor chamado Waldemar Belisário, a se casar com a Pagu. Cerimônia simples em cartório. Tarsila e Oswald foram padrinhos do casamento e os noivos ganharam de presente um quadro da pintora. O casal partiu para a lua-de-mel. Deviam descer de carro até Santos e lá embarcar num navio para Paris. Isso é o que todos pensavam. Mas o plano de verdade era outro e já estava todo armado: no alto da serra, Oswald esperava-os em outro carro. Pagu seguiu com ele e o noivo voltou para São Paulo, sozinho. (...) Para deixar esfriar o escândalo, o casal sumiu por uns tempos. Viajaram. (...) Mas nada disso impediu a vida de Pagu com Oswald. Os dois estavam apaixonados e cheios de vontade de fazer coisas na vida. Foram morar juntos e celebraram um casamento de mentirinha. Sabe onde? No cemitério! Diante do túmulo da família do Oswald. Ele escreveu assim, no diário dos dois: “1930 - 5 de janeiro - Nesta data contrataram casamento a jovem amorosa Patrícia Galvão e o crápula forte Oswald de Andrade. Foi diante do túmulo do Cemitério da Consolação, à Rua 17, nº 17, que assumiram o heróico compromisso. Na luta imensa que sustentam pela vitória da poesia e do estômago, foi o grande passo prenunciador, foi o desafio máximo. Depois se retrataram diante de uma igreja. Cumpriu-se o milagre. Agora, sim, o mundo pode desabar.” Logo depois, a Pagu perdeu o bebê, mas engravidou de novo. O filho deles nasceu em setembro e foi chamado de Rudá, que nas lendas indígenas quer dizer o deus do amor. (...)

[Lia Zatz, PAGU, São Paulo, Instituto Callis, 2005, il. (A luta de cada um), - cópia/compilação/adaptação das páginas 29 a 42]

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Canção do amor imprevisto (Mario Quintana)

Canção do amor imprevisto

Eu sou um homem fechado.
O mundo me tornou egoísta e mau.
E a minha poesia é um vício triste,
Desesperado e solitário
Que eu faço tudo por abafar.

Mas tu apareceste com a tua boca fresca de madrugada,
Com o teu passo leve,
Com esses teus cabelos...

E o homem taciturno ficou imóvel, sem compreender
nada, numa alegria atônita...

A súbita, a dolorosa alegria de um espantalho inútil
Aonde viessem pousar os passarinhos.

Mario Quintana, in: http://www.fabiorocha.com.br/mario.htm

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Bilhete (Mario Quintana)

BILHETE

Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...


[Mario QUINTANA
http://www.pensador.info/frase/MzQ3/] acesso: 07/set/2010
(o que mais gosto é o ultimo verso)