"Vem, Noite antiqüíssima e idêntica,
Noite Rainha nascida destronada,
Noite igual por dentro ao silêncio, Noite

Com as estrelas lantejoulas rápidas
No teu vestido franjado de Infinito. (...) "
[Álvaro de Campos (F. Pessoa), Fragmento de Ode I, in: "Fernando Pessoa: poesia", por Adolfo Casais Monteiro, 10ª ed., Rio de Janeiro, Agir, 1989, p. 76 (col. Nossos Clássicos)]

"(...) noites como esta, em que já não me será dado viver."
[Jostein Gaarder, "A garota das laranjas", Trad. Luiz Antônio de Araújo, São Paulo, Companhia das Letras, 2005, p. 127 (citação possivelmente de outrem, constante também em alguma página anterior, provavelmente)]
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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

A grande renúncia (Bertrand Russell)


A Grande Renúncia (Bertrand Russell)

Cedo ou tarde, a todo o homem chega a grande renúncia. Para o jovem não existe nada inalcançável. Que algo bom e desejado com toda a força de uma vontade apaixonada seja impossível, não lhe parece crível. Mas, ou por meio da morte ou da doença, da pobreza ou da voz do dever, cada um de nós é forçado a aprender que o mundo não foi feito para nós e que, não importa quão belas as coisas que almejamos, o destino pode, não obstante, proibi-las. É parte da coragem, quando a adversidade vem, suportá-la sem lamentar a derrocada das nossas esperanças, afastando os nossos pensamentos de vãos arrependimentos. Esse grau de submissão (...) não é somente justo e correcto: ele é o portal da sabedoria. 

Bertrand Russell, in "A Free Man's Worship"

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Wittgenstein

Wittgenstein

Em Retratos de memória, o filósofo Bertrand Russell (1872-1970) conta que, por volta de 1913, tinha entre seus alunos da Universidade de Cambridge um tão esquisito, a ponto de, após todo um período letivo, o filósofo não saber dizer se se tratava apenas de um excêntrico ou de um homem de gênio. Sua perplexidade aumentou ainda mais quando foi procurado pelo estranho aluno, que lhe fez uma insólita pergunta: “O senhor poderia me fazer a fineza de me dizer se sou ou não um completo idiota?”. Russell respondeu que não sabia e perguntou-lhe das razões de sua dúvida. O aluno replicou: “Caso seja um completo idiota, me dedicarei à aeronáutica; caso contrário, tornar-me-ei filósofo”. Russell não encontrou outra saída para se desfazer da embaraçosa questão, a não ser pedindo-lhe que escrevesse um assunto filosófico qualquer, e depois lhe mostrasse. Passado algum tempo, o aluno retornou com o trabalho e o filósofo depois de ler apenas uma linha, sentenciou: “Não, você não deve se tornar um aeronauta”.

A partir daí Wittgenstein, o aluno excêntrico, abandonou totalmente qualquer preocupação com engenharia de aviões, tornando-se não apenas mais um filósofo entre outros, mas uma das principais figuras da filosofia do século XX.

[Ludwig Wittgenstein, Investigações filosóficas, José Carlos Bruni (trad.), São Paulo, Nova Cultural, 1999, p. 5 (col. Os pensadores)]

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Decálogo liberal (Bertrand Russell)


Decálogo liberal (Bertrand Russell)

Russell propôs, em sua autobiografia, um "código de conduta" liberal baseado em dez princípios, à maneira do decálogo cristão. "Não para substituir o antigo", diz Russell, "mas para complementá-lo". Os dez princípios são:

1. Não tenhas certeza absoluta de nada.

2. Não consideres que valha a pena proceder escondendo evidências, pois as evidências inevitavelmente virão à luz.

3. Nunca tentes desencorajar o pensamento, pois com certeza tu terás sucesso.

4. Quando encontrares oposição, mesmo que seja de teu cônjuge ou de tuas crianças, esforça-te para superá-la pelo argumento, e não pela autoridade, pois uma vitória dependente da autoridade é irreal e ilusória.

5. Não tenhas respeito pela autoridade dos outros, pois há sempre autoridades contrárias a serem achadas.

6. Não uses o poder para suprimir opiniões que consideres perniciosas, pois as opiniões irão suprimir-te.

7. Não tenhas medo de possuir opiniões excêntricas, pois todas as opiniões hoje aceitas foram um dia consideradas excêntricas.

8. Encontres mais prazer em desacordo inteligente do que em concordância passiva, pois, se valorizas a inteligência como deverias, o primeiro será um acordo mais profundo que a segunda.

9. Sê escrupulosamente verdadeiro, mesmo que a verdade seja inconveniente, pois será mais inconveniente se tentares escondê-la.

10. Não tenhas inveja daqueles que vivem num paraíso dos tolos, pois apenas um tolo o consideraria um paraíso.

[http://pt.wikipedia.org/wiki/Bertrand_Russell] acesso: 15/07/2011

quinta-feira, 7 de julho de 2011

A vida do homem vista de fora da terra (B. Russell)

"Os sonhos pessoais do homem e dos grupos podem ser hilariantes, mas os seus sonhos humanos coletivos são patéticos, para nós que não podemos ir além do círculo da humanidade. Como a astronomia o revela, o universo é muito vasto. Quanto haverá fora do alcance de nosso telescópios não podemos dizer: mas o que já conhecemos é de inimaginável imensidão. No mundo visível a Via Látea é um minúsculo fragmento; dentro desse fragmento, o sistema solar é uma poeirinha infinitesimal, e dessa poeira o nosso planeta é um grão microscópico. Sobre esse grão, insignificantes conglomerados de carvão e água impura, de complicada estrutura, com propriedades físicas e químicas um tanto fora do comum, rastejam durante alguns anos, até se dissolverem de novo nos elementos que os compõem. Dividem o tempo entre o trabalho destinado a adiar o momento da própria dissolução e lutas frenéticas para apressar a destruição dos outros. Convulsões naturais periodicamente destroem alguns milhares ou milhões deles e a doença varre prematuramente outros tantos. Esses acontecimentos são considerados desgraças; mas quando os homens conseguem infligir análoga destruição por meio dos seus esforços, rejubilam-se e dão graças a Deus. Na vida do sistema solar, o período durante o qual a existência do homem terá sido fisicamente possível é uma fração diminuta; mas há razão para esperar que mesmo antes de terminar esse período o homem tenha posto fim à própria existência graças aos seus esforços de aniquilamento mútuo. Tal é a vida do homem vista de fora.

[Bertrand RUSSELL, Ensaios céticos, Trad. Wilson Velloso, Rio de Janeiro, Opera Mundi, 1970, pp. 72/73 (Biblioteca dos Prêmios Nobel de Literatura)]

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

O desejo de amar / Three passions (B. Russell)


“Três paixões, simples mas irresistivelmente fortes, governaram a minha vida: o desejo de amar, a busca do conhecimento e uma compaixão insuportável pelo sofrimento da humanidade. Essas paixões, como grandes ventanias, me levaram para cá e para lá, num curso obstinado, sobre um profundo oceano de angústia que chegava às raias do desespero.


Eu busquei o amor, primeiro, porque ele produz o êxtase - êxtase tão grande, que muitas vezes eu sacrificava tudo o mais na vida por umas poucas horas dessa alegria. Eu o busquei, também, porque ele aliviava a solidão - essa terrível solidão de uma consciência despedaçada que olha por sobre a borda do mundo e vê um abismo sem vida, frio e insondável. Eu o busquei, finalmente, porque, na união amorosa, eu vi, numa miniatura mística, a imagem dos céus que santos e poetas imaginaram. Foi o que busquei e, embora possa parecer bom demais para a vida humana, foi o que - finalmente - eu encontrei.”


[Bertrand Russell, O melhor de Bertrand Russell: silhuetas satíricas, Robert E. Egner (selec.), Pedro Jorgensen Jr. (trad.), Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 2000, p. 164]

Evolução do espírito humano (B. Russell)

(...) Após muitas eras em que a Terra só produziu trilobitas e borboletas inofensivas, a evolução progrediu a ponto de gerar Neros, Gengis Khans e Hitlers. (...)

[Bertrand Russell, O melhor de Bertrand Russell: silhuetas satíricas, Robert E. Egner (selec.) / Pedro Jorgensen Jr. (trad.), Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 2000, p. 91]

Ainda vivesse, teria de atualizar a lista de "evoluídos".

sábado, 2 de outubro de 2010

Medo III - medo, visão e tamanho (B. Russell)

“Não se liberta do medo o homem que não ousa enxergar o seu verdadeiro lugar no mundo; nenhum homem pode alcançar a grandeza de que é capaz antes de se permitir ver a própria pequenez."

[B. Russell, Ensaios céticos, não estou com o livro no momento.
disponível em: http://www.das.ufsc.br/~cancian/ciencia/filosofia_bertrand_ensaios.html - acesso: 02/out/2010]

O Homem visto de fora da Terra (B. Russell)

"No mundo visível, a Via Láctea é um minúsculo fragmento; dentro desse fragmento, o sistema solar é uma poeirinha infinitesimal, e dessa poeira nosso planeta é um grão microscópico. Sobre este grão, INSIGNIFICANTES CONGLOMERADOS DE CARVÃO E ÁGUA IMPURA, de complicada estrutura, com propriedades físicas e químicas um tanto fora do comum, RASTEJAM DURANTE ALGUNS ANOS, ATÉ SE DISSOLVEREM DE NOVO NOS ELEMENTOS QUE OS COMPÕEM. Dividem o tempo entre o trabalho destinado a adiar o momento da própria dissolução e lutas frenéticas para apressar a destruição dos outros. Convulsões naturais periodicamente destroem alguns milhares ou milhões deles, e a doença varre prematuramente outros tantos."

(há ainda um complemento no sentido de que haveria LAMENTAÇÃO ou algo equivalente quando essas convulsões naturais ocorressem e EXULTAÇÃO ou algo equivalente quando um grupo/país conseguisse infligir destruição tal - equivalência em número - ao grupo considerado inimigo, na guerra, por exemplo)

[B. Russell, Ensaios Céticos, o texto entre aspas acima é parte de "Sonhos e Fatos" - talvez da parte II - estou sem o livro no momento.
disponível em: http://www.das.ufsc.br/~cancian/ciencia/filosofia_bertrand_ensaios.html - acesso: 02/out/2010]

domingo, 5 de setembro de 2010

Medo II (B. Russell)

"Medo é a principal fonte das superstições e uma das maiores fontes da crueldade. O domínio do medo é o início da sabedoria."

[Bertrand RUSSELL, citado em "O Homem-Aranha", nº 87, São Paulo, Abril Jovem, 1990, p. 59]

sábado, 24 de julho de 2010

Incerteza, Reserva de julgamento, Julgamento pendente (B. Russell)

"A INCERTEZA, na presença de grandes esperanças e receios, é dolorosa, mas temos de suportá-la, se quisermos viver sem o apoio de confortadores contos de fadas."
(B. Russell, História da filosofia ocidental, vol I, p. XI)

"(...) quando todos os peritos afirmam não haver base suficiente para uma opinião positiva, o melhor que o homem comum tem a fazer é RESERVAR SEU JULGAMENTO."
(B. Russell, Ensaios céticos, O valor do ceticismo)

"(...) recusar julgamentos na ausência de provas (...). Suportar a incerteza é difícil, como é também suportar a maior parte das demais virtudes. O aprendizado de toda virtude tem a sua disciplina apropriada, para o aprendizado de JULGAMENTO PENDENTE, a melhor disciplina é a filosofia.
(B. Russell, O melhor de Bertrand Russell, p. 98)