"Vem, Noite antiqüíssima e idêntica,
Noite Rainha nascida destronada,
Noite igual por dentro ao silêncio, Noite

Com as estrelas lantejoulas rápidas
No teu vestido franjado de Infinito. (...) "
[Álvaro de Campos (F. Pessoa), Fragmento de Ode I, in: "Fernando Pessoa: poesia", por Adolfo Casais Monteiro, 10ª ed., Rio de Janeiro, Agir, 1989, p. 76 (col. Nossos Clássicos)]

"(...) noites como esta, em que já não me será dado viver."
[Jostein Gaarder, "A garota das laranjas", Trad. Luiz Antônio de Araújo, São Paulo, Companhia das Letras, 2005, p. 127 (citação possivelmente de outrem, constante também em alguma página anterior, provavelmente)]
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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Eben Alexander: O paraíso existe (revista Galileu)


Neurocirurgião escreve livro sobre sua experiência de quase morte e garante: o Paraíso existe
Caso vem chamando atenção da imprensa mundial: professor de Harvard ficou em coma e diz que, mesmo com o cérebro desligado e quase sem chances de sobrevivência, passou esse tempo em um reino espiritual

por Redação da revista Galileu

Um neurocirurgião professor de Harvard é o tipo de pessoa que se leva a sério. Não precisa concordar e nem acreditar, mas, se você tem juízo, vai ouvir o que ele tem pra falar. Pois é. O Dr. Eben Alexander tem muito que falar e quer que todo mundo ouça. Ele quer que a ciência entenda que o Paraíso existe. Mas ele é um acadêmico de Harvard, ele não brinca em serviço, ele merece crédito. Ele não acha que o Paraíso existe porque quer atenção, ele sabe que o Paraíso existe porque viveu uma semana lá.

Tudo começou quando Eben acordou com dor de cabeça em uma manhã de 2008. Não suportando a dor, foi levado ao hospital. Chegando lá, foi diagnosticado com um surto de meningite bacteriana –algo muito raro e que costuma atingir apenas recém-nascidos. A bactéria havia entrado em seu fluido cérebro-espinhal. A dor que ele sentia era da bactéria comendo seu cérebro e do seu córtex sendo desligado.

Eben chegou ao hospital com poucas chances de ter alguma sobrevivência que fosse além do estado vegetativo. Com o passar do tempo, essa estatística caiu pra praticamente zero. Uma semana depois, quando os médicos já debatiam se continuavam ou interrompiam o tratamento, ele abriu os olhos. Totalmente consciente e com uma certeza: passara os últimos dias no Paraíso.

A descrição do neurocirurgião é tão rica, tão cheia de detalhes que realmente leva a crer que ele não está inventando nada disso. Tanto que ele foi capa da revista americana Newsweek e está lançando um livro, que chega às lojas americanas dia 23 de outubro. Um acadêmico sério, um professor com respeitada carreira em Harvard, um médico especialista em cérebro...qualquer uma dessas pessoas falando de coisas como experiência pós-morte e reino espiritual chamaria atenção. Um ser humano que reúne as 3 características se importar em escrever um livro inteiro sobre o tema é suficiente para fazer o mundo virar a cabeça lentamente e se perguntar “Será que...?”

Se você já leu algum relato de viagem de ácido ou cogumelos, vai achar o
Paraíso um lugar familiar. Eben diz que estava em cima de nuvens rosadas que contrastavam com um céu azul escuro. Acima dele, seres transparentes (nem anjos, nem pássaros, uma forma superior, segundo ele) cruzavam o céu. Ele sentia como se estivesse naquele lugar há muito tempo e não tinha nenhuma memória de sua vida aqui na Terra. A sinestesia imperava: sons são sentidos pela pele “como uma chuva que você sente mas não te molha”. O médico ficou o tempo todo acompanhado de uma mulher de olhos azuis que não falava nada, e nem precisava: “Se ela te olhasse daquele jeito por 5 segundos, sua vida inteira até aquele momento já teria valido a pena.” As cores de tudo à sua volta tinham um aspecto “avassalador e super vívido” – ele ficou um tempo com a mulher em cima de uma asa de borboleta, enquanto outras incontáveis borboletas voavam em volta deles.

O olhar arrebatador da mulher não era de amizade, nem de sedução ou amor: era algo muito além, muito acima e inédito para olhos mundanos – expressão bastante recorrente em seu relato. Sem falar nada, ela disse pra ele:

- “Você é amado e querido para sempre”


- “Você não tem nada para temer”


- “Não tem nada que você pode fazer de errado”


E depois ainda emendou “Iremos mostrar muita coisa pra você aqui. Mas, eventualmente você vai voltar”. Tudo isso apenas olhando para Eben, que se perguntava “Voltar praonde?”. As respostas para suas perguntas existencialistas vinham “como uma explosão de cor, luz, amor e beleza que explodia em mim como uma onda quebrando”.

No final do seu relato, Eben deixa claro que sua estada no paraíso lhe pareceu mais real do que qualquer outra coisa que tenha acontecido com ele durante sua vida – casamento e nascimento de filhos incluso. Evidente que o relato de Eben não está acima de qualquer suspeita, mesmo que ele tenha passado por tudo isso, não há como garantir que esse lugar é real: todos nó sabemos quanto um sonho pode parecer real, mais até que a própria realidade, em alguns momentos. A diferença é que estamos falando de alguém que sempre teve todos os motivos do mundo para ser cético. É a ciência, mais uma vez, se confrontando com as imprecisões da mente e da alma humana.
[http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI321174-17770,00-NEUROCIRURGIAO+ESCREVE+LIVRO+SOBRE+SUA+EXPERIENCIA+DE+QUASE+MORTE+E+GARANTE.html]

 
veja também o texto “O que acontece na ante-sala da morte” (Revista Galileu de Abril/2002)
[http://revistagalileu.globo.com/EditoraGlobo/componentes/article/edg_article_print/1,3916,483439-1940-1,00.html]

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Paciente não se lembra do que ocorreu durante coma: famosa visão do túnel tem origem física

Paciente não se lembra do que ocorreu durante coma

Famosa visão do túnel tem origem física

Folha de São Paulo

O que sentem e do que se lembram pessoas que estiveram em coma? Existe muito mito a respeito -aquela história de "morri e voltei", "vi uma luz intensa", "vi minha mãe que tinha morrido" etc. Na verdade, nada disso aconteceu de fato- apesar de ter, de certo modo, acontecido.
"Os pacientes lembram de quando saem do coma, os primeiros momentos. Do período em coma não há lembranças, o paciente não está formando memória", diz Gisele Sampaio, gerente do Programa de Neurologia do Hospital Israelita Albert Einstein.
"Ninguém conta detalhes do período em que esteve em coma", diz Gisele, que supervisiona pacientes em UTI, muitos em estado de coma.
O que acontece é simples. O paciente, ao se recuperar lentamente, lembra-se, ou dos momentos pré-coma, ou dos últimos instantes dessa situação.
Uma descrição comum é enxergar um "túnel", uma "luz no fim do túnel". Também explicável pela ciência, não por algum aspecto místico. "É um fenômeno físico", diz a médica do Einstein.
A pessoa tem a visão lateral escurecida por conta da diminuição do fluxo sanguíneo. Logo, ao acordar, sente que está em um túnel.
A maneira tradicional de avaliar a intensidade do coma é pela chamada Escala de Coma de Glasgow, criada em 1974 por pesquisadores dessa cidade da Escócia.
A avaliação inclui testar a movimentação dos olhos e a capacidade verbal e motora.
O melhor nível é quando os olhos se abrem espontaneamente; a pior situação é quando eles não se abrem.
O paciente está bem se responde com coerência a perguntas como seu nome e idade. E a situação piora se ele emite sons ininteligíveis. E mais ainda se não consegue dizer nada.
A pontuação da Escala de Coma de Glasgow varia de 3 (coma profundo) a 15 (normalidade).
(RBN)

[publicado no jornal Folha de São Paulo, edição de 28/nov/2011 - p. C10]

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Sobre detecção de espíritos (Suzana Herculano-Houzel)

(...)
Donde a pergunta inevitável, em tempos de Chico Xavier se tornando fenômeno de bilheteria nacional, durante a primeira aula sobre os sistemas sensoriais para minha turma de psicologia na UFRJ: e os espíritos? Como nós os detectamos?

Resposta em palavras escolhidas a dedo pela Neurocientista de Plantão: até hoje não foi detectada nenhuma forma de energia que possa corresponder a manifestações espíritas. Nenhum aparelho acusa qualquer tipo de variação de energia externa ao cérebro que possa ser relacionada à sensação de "presença espírita" relatada por algumas pessoas. Se esse for de fato o caso, "espíritos" não podem ser "detectados pelos sentidos".

"Mas não pode ser o caso que essa forma de energia existe, e só não sabemos como ela é, então não temos aparelhos para acusá-la?" Pode, teoricamente pode. "E será que algumas poucas pessoas não possuem os receptores sensoriais necessários para detectá-la, e a maioria das pessoas não?" De novo, teoricamente sim.
Mas, enquanto não houver uma variação de energia "espírita" detectável e não for encontrado um tipo de célula no corpo sensível a ela, não dá para falar em "sentir" espíritos - não no sentido dos outros sentidos.

Por outro lado, há vários estudos em neurociência que mostram que a percepção de presenças atribuíveis por exemplo a espíritos está associada a um padrão de ativação em regiões do córtex, como o parietal posterior e o lobo temporal. "A-ha, então os espíritos agem diretamente sobre o córtex cerebral!", podem dizer alguns. É uma interpretação possível - assim como é possível a outra interpretação, de que a percepção da presença do espírito é uma criação do seu córtex temporal. Mas enquanto a interpretação espírita não é testável pela ciência, a segunda interpretação é - e sim, é possível *provocar* uma sensação espírita apenas manipulando a atividade do cérebro...

Se Deus/espíritos/almas são uma criação do seu cérebro ou os criadores dele, portanto, fica a critério de cada um. A ciência nem prova, nem desaprova...

[excerto do post "O efeito Chico Xavier sobre as aulas de neurociência" - texto completo em:
http://www.suzanaherculanohouzel.com/journal/2010/4/29/o-efeito-chico-xavier-sobre-as-aulas-de-neurociencia.html]

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Eles vêem espíritos (Superinteressante)

Eles vêem espíritos (Superinteressante)

Para a ciência, ver e ouvir fantasmas não tem nada de sobrenatural: tudo é criado pelo cérebro. Agora os cientistas tentam explicar por que tanta gente, em diferentes épocas e civilizações, afirma ver espíritos

Texto Aryane Cararo | Revista Superinteressante - mar 2007mar 2007Edição 237 | março/2007

Matéria completa em: [http://super.abril.com.br/superarquivo/2007/conteudo_494103.shtml]

Estudo diz que experiências “sobrenaturais” de quase morte são truques da mente (Superinteressante)

Estudo diz que experiências “sobrenaturais” de quase morte são truques da mente (Superinteressante)

Ana Carolina Prado 1 de novembro de 2011 - Blogs Superinteressante

Psicológos das Universidades de Edimburgo e Cambridge publicaram recentemente um estudo no jornal Trends in Cognitive Sciences em que explicam o que causa as supostas experiências fora do corpo relatadas por pessoas que estiveram perto da morte. No texto, cujo título é There is nothing paranormal about near-death experiences: how neuroscience can explain seeing bright lights, meeting the dead, or being convinced you are one of them*, os pesquisadores também analisaram outros fenômenos, como a visão de túneis de luz e encontros com parentes mortos, e chegaram à conclusão de que eles podem estar bem longe de um vislumbre da vida após a morte. Na verdade, são truques da mente e têm uma base biológica.

Experiências de quase morte são relatadas em todas as culturas, desde a Grécia Antiga. De acordo com uma pesquisa feita pelo Instituto Gallup, cerca de 3% dos americanos já passou por algo assim. Para os pesquisadores, isso pode ser provocado pela tentativa do cérebro de dar sentido às sensações e percepções incomuns que ocorrem durante um evento traumático.

A sensação de ter saído do corpo, por exemplo, pode acontecer quando há uma pane nos processos multi-sensoriais do cérebro. Visões de túneis e luzes brilhantes podem decorrer de uma avaria no sistema visual do cérebro causado pela privação de oxigênio.

Outro culpado é o hormônio noradrenalina, liberado numa parte do cérebro chamada mesencéfalo que, quando acionado, pode evocar emoções positivas, alucinações e outras características da experiência de quase morte.

Alguns dos estudos examinados pelos pesquisadores ainda mostram que muitas das pessoas que relataram esse tipo de experiência não estavam realmente em perigo de morrer, embora a maioria tenha pensado que estava.

* Tradução livre: Não há nada de paranormal em experiências de quase morte: como a neurociência explica luzes brilhantes, encontro com mortos e o fato de você se convencer de que é um deles.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Evolução do espírito humano (B. Russell)

(...) Após muitas eras em que a Terra só produziu trilobitas e borboletas inofensivas, a evolução progrediu a ponto de gerar Neros, Gengis Khans e Hitlers. (...)

[Bertrand Russell, O melhor de Bertrand Russell: silhuetas satíricas, Robert E. Egner (selec.) / Pedro Jorgensen Jr. (trad.), Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 2000, p. 91]

Ainda vivesse, teria de atualizar a lista de "evoluídos".