"Vem, Noite antiqüíssima e idêntica,
Noite Rainha nascida destronada,
Noite igual por dentro ao silêncio, Noite

Com as estrelas lantejoulas rápidas
No teu vestido franjado de Infinito. (...) "
[Álvaro de Campos (F. Pessoa), Fragmento de Ode I, in: "Fernando Pessoa: poesia", por Adolfo Casais Monteiro, 10ª ed., Rio de Janeiro, Agir, 1989, p. 76 (col. Nossos Clássicos)]

"(...) noites como esta, em que já não me será dado viver."
[Jostein Gaarder, "A garota das laranjas", Trad. Luiz Antônio de Araújo, São Paulo, Companhia das Letras, 2005, p. 127 (citação possivelmente de outrem, constante também em alguma página anterior, provavelmente)]
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quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

O amor, antes e depois - Mildred e Philip (Somerset Maugham)


O amor (ou coisa equivalente) antes

(...) a desusada ternura de seus olhos o enchia de alegria. Ele sabia por instinto que era loucura entregar-se-lhe nas mãos; sua única esperança estava em tratá-la com desapego e nunca permitir que Mildred visse a paixão indomável que lhe fervia no peito. Ela não faria senão aproveitar-se de sua fraqueza; mas nesse momento não podia conduzir-se com prudência: disse-lhe toda a agonia que suportava durante a separação; contou-lhe de suas lutas íntimas, de como tentara dominar aquela paixão, e de como, pensando havê-lo conseguido, descobrira no fim que ela estava mais forte do que nunca. Sabia que jamais quisera realmente livrar-se dela. Amava Mildred de tal maneira que não lhe importava o sofrer. Pôs o coração a nu diante dela. Mostrou-lhe, com orgulho, toda a sua fraqueza.
(pp. 328-9)

 
O amor (ou algo que o valha) depois

 - Não me queira mal. A gente não pode evitar essas coisas. Lembro-me de que lhe achava malvada e cruel porque fazia isto, isso e mais aquilo. Mas era grande tolice minha. Você não me amava e era absurdo acusar você por isso. Pensei que podia fazer com que me amasse, mas vejo agora que tal coisa era impossível. Não sei o que é que faz os outros amarem a gente, mas seja o que for, é a única coisa que importa, e quando ela não existe, não podemos criá-la com bondade, generosidade ou coisa que o valha.
(p. 537)

[W. Somerset Maugham, Servidão humana, trad. Antônio Barata, prefácio Carlos Vogt, 10ª ed. rev., Ed. Globo, São Paulo, 2005 (2ª reimpr. 2009)]

terça-feira, 13 de março de 2012

Sinais de paixão ou Você está apaixonado? (SUZANA HERCULANO-HOUZEL)

Você está apaixonado? (SUZANA HERCULANO-HOUZEL)



A lista abaixo pode ajudar você a fazer um diagnóstico desse seu estado de atenção concentrada

Ah, a paixão. Não se trata de um mero sentimento: de acordo com a antropóloga Helen Fisher, a paixão é um estado particular de hipermotivação e atenção concentrada na pessoa querida. E transcende culturas

-seus sinais são os mesmos em qualquer lugar, entre eles:

- pensamentos obsessivos e intrusivos a respeito de uma única pessoa, como se seu cérebro não conseguisse afastar sua ideia da mente;

- motivação aumentada quanto a tudo o que puder colocá-lo na presença dessa pessoa, seja atravessar a cidade à noite ou fazer mágicas para conseguir uma passagem de avião;

- necessidade diminuída de sono, pois qualquer oportunidade de ficar acordado na presença daquela pessoa (ou de sua voz, ou mesmo só de frases por chat) é imperdível;

- sensação de euforia em sua presença, acompanhada de otimismo incorrigível e um sorriso bobo no rosto;

- olhar fixado no outro, que rouba o foco da sua atenção e torna tudo o mais ao redor irrelevante;

- necessidade de tocar no outro, acompanhada de manifestações fisiológicas variadas (coração disparado, pele eletrizada) e desejo sexual irresistível;

- ideação constante sobre futuros possíveis com essa pessoa especial;

- angústia da separação, uma ansiedade terrível em resposta a meros pensamentos sobre distanciamento e, eventualmente, morte da pessoa em questão.

Quem já esteve profundamente apaixonado se reconhecerá nessa lista e quem está em dúvida pode tentar se "diagnosticar".

Pessoalmente, acho que a angústia da separação é uma maneira excelente de tirar a dúvida se o amor ou a paixão são verdadeiros. Faça uma lista mental de pessoas do seu conhecimento e, em segredo e de maneira totalmente hipotética, "mate-as" uma a uma. A morte do síndico ou de seu chefe não o deve incomodar muito; a morte de um tio talvez seja lamentável, mas suportável. Já a morte de seu filho ou daquela pessoa em especial... bingo!

A ressonância magnética hoje confirma as suspeitas de Fisher: o cérebro apaixonado tem seu sistema de recompensa e motivação, centrado no estriado ventral, hiperativado por tudo o que é direta ou vagamente relacionado ao objeto do desejo. Tudo a seu respeito é maravilhoso, desejável e certamente digno dos maiores esforços.

Conhecer suas origens no estriado ventral torna a paixão menos maravilhosa? Nem um pouco, eu diria. Se esse pedacinho de nada do meu cérebro pode me fazer sentir assim... uau!

SUZANA HERCULANO-HOUZEL é neurocientista, professora da UFRJ e autora do livro "Pílulas de Neurociência para uma Vida Melhor" (ed. Sextante) e do blog www.suzanaherculanohouzel.com

http://sergyovitro.blogspot.com/2012/03/suzana-herculano-houzel-voce-esta.html

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Amores proibidos na História do Brasil - Trecho (Maurício Oliveira)

Amores proibidos na História do Brasil - Trecho (Maurício Oliveira)
Escrito pelo jornalista Maurício Oliveira, "Amores Proibidos na História do Brasil" narra conturbados romances de importantes personagens da história. O livro apresenta brigas, traições, separações e juras de amor.
[Trecho do livro “Amores proibidos na história do Brasil, Maurício Oliveira, Ed. Contexto]
Amores proibidos nunca foram fáceis. Por influência de algum mecanismo insensato da psiquê humana, as paixões se tornam ainda mais sedutoras, perturbadoras e atraentes quando há algum impedimento para que se realizem em toda sua plenitude. É justamente na impossibilidade de se entregar plenamente ao outro que o mais nobre dos sentimentos acaba muitas vezes se confundindo com os seus opostos, a dor e o sofrimento.
Não deixa de ser curioso, no entanto, que essa dubiedade tenha sido responsável ao longo dos tempos por impulsionar e mudar os rumos da humanidade. Quantas guerras e decisões políticas terão sido secretamente motivadas por um amor proibido? A criação artística também se abastece amplamente dessa fonte. A música, o teatro, a dança, a literatura, todas essas formas de expressão se inspiram com muito mais frequência em angustiantes paixões não correspondidas e amores rompidos do que na tranquila sensação de viver um amor sem complicações.
Ao descrever paixões vividas por personalidades da história do Brasil, este livro evidencia que, quando se trata de assuntos do co ração, todos são gente como a gente, sujeitos a erros e acertos, dúvidas e certezas. Apresentadas em conjunto, as histórias formam um panorama dos nossos mais conhecidos e importantes amores proibidos. Os sete relacionamentos incluídos trazem, como ponto em comum, o fato de terem brotado em meio a grandes obstáculos - adultério, conflitos de classe, preconceitos, convenções sociais ou disputas por poder.
A primeira história é sobre o surpreendente relacionamento entre o rico contratador de diamantes João Fernandes e a escrava Chica da Silva. Fernandes podia escolher qualquer sinhazinha como esposa - havia uma fila de pretendentes -, mas encantou-se com Chica quando a viu pela primeira vez, em 1753. Era um relacionamento proibido por dois fatores. O primeiro, de ordem prática, é que ela pertencia a outro homem, um influente juiz da região do Arraial do Tejuco, atual cidade de Diamantina, em Minas Gerais. O segundo é que não era comum à época que um homem branco e rico escolhesse uma escrava como esposa - muitos tiravam proveito sexual das suas escravas, mas não assumiam essas relações e muito menos os filhos resultantes delas. João Fernandes precisou de firmeza e coragem para subverter os padrões vigentes.
No caso de Dom Pedro I e Domitila Castro, que se tornaria mais conhecida como marquesa de Santos, o maior impedimento para a relação, iniciada em 1822, era o fato de o príncipe ser casado com Leopoldina. Quando a esposa de Dom Pedro morreu, ainda muito jovem, os problemas passaram a ser outros. Havia uma grande oposição popular à possibilidade de uma união dele com sua amante, considerada responsável pelo adoecimento da imperatriz.
Além do mais, Dom Pedro sentia a necessidade de estabelecer uma nova aliança estratégica com uma família nobre europeia, como de fato acabou ocorrendo. Domitila, que talvez tenha sido a única mulher que o príncipe verdadeiramente amou, não cabia nesses planos. Assim, a ardente e intensa paixão entre os dois chegou ao fim depois de sete anos.
Motivos para considerar proibido o amor entre Giuseppe e Anita Garibaldi também não faltam. Quando o revolucionário italiano conheceu a jovem na cidade catarinense de Laguna, em 1839, ela era casada. Além disso, Anita se envolveria em uma série de aventuras à margem da lei ao seguir Giuseppe. Essas mesmas circunstâncias podem ser evocadas para descrever a origem do relacionamento entre Lampião e Maria Bonita, em 1930. Ela também era casada e, por amor, aceitou se submeter à vida errante dos cangaceiros. Tanto Anita quanto Maria Bonita pagaram com a vida pelas escolhas feitas.
No que diz respeito a Joaquim Nabuco e Eufrásia Teixeira Leite, o amor se tornou proibido não porque um dos dois fosse comprometido - ao contrário, ambos eram livres quando se conheceram, em 1873 -, mas por uma série de desencontros de expectativas e diferenças de opinião. No início, a maior polêmica parecia ser o grau de intimidade permitido para o namoro. Logo outros impasses bem mais complexos surgiriam, contudo. Eufrásia era muito rica e tinha medo de que o bon vivant Joaquim torrasse a fortuna que ela havia herdado do pai. Outro empecilho para o casamento é que ela não aceitava morar em outro lugar que não fosse Paris, enquanto ele não imaginava seu futuro distante do Brasil. Além do mais, Eufrásia vinha de uma família com tradição escravocrata e Joaquim se tornaria justamente o maior líder do movimento abolicionista. De impasse em impasse, 15 anos se passaram - até que Joaquim, cansado de esperar, decidiu se casar com outra.
Chiquinha Gonzaga teve que enfrentar o preconceito social contra a diferença de idade ao se apaixonar por Joãozinho, 36 anos mais jovem, em 1899. Mulher independente e realizadora, ela já havia superado uma série de dificuldades, como separar-se de dois maridos e conquistar um espaço até então inédito para mulheres no cenário musical brasileiro. Mesmo com esse histórico, Chiquinha não encontrou forças para assumir de peito aberto o relacionamento com o rapaz. Preferiu divulgar a versão de que Joãozinho era seu filho, sustentada até o final da vida, quase quatro décadas depois - período em que o rapaz se manteve como seu companheiro fiel e inseparável, contrariando todos os prognósticos de quem imaginava um relacionamento breve.
Já o amor entre Oswald de Andrade e Pagu surgiu tão intenso que todo mundo imaginou que duraria para sempre. Em 1928, aos 40 anos, ele deixou a mulher, a pintora Tarsila do Amaral, para viver com a jovem escritora. O relacionamento começara sob o estigma do adultério, um fantasma que jamais deixaria de existir entre eles, pois Oswald mantinha relacionamentos com outras mulheres mesmo depois de casado com Pagu. Sob as bênçãos do modernismo, que tinha como uma das premissas o rompimento com a tradição romântica, ele queria que Pagu concordasse placidamente com essa situação, mas sem ter direito ao mesmo grau de liberdade. Outro elemento complicador da relação foi a entrega de Pagu à militância comunista - o partido vivia na clandestinidade e ela foi presa inúmeras vezes. A relação não resistiu a tantas turbulências e se desfez depois de sete anos.
Quando tomamos conhecimento dos detalhes de todas essas histórias, uma questão logo se impõe: será que essas pessoas se arrependeram de ter vivido casos de amor tão intensos e sofridos? Teriam preferido uma trajetória mais tranquila, mais segura, sem tantos sobressaltos? Ou o amor sempre vale a pena, independentemente dos obstáculos e das dores que fazem parte do pacote? Talvez essa resposta, leitor, caiba a você. Boa viagem ao fascinante universo dos amores proibidos.
[Trecho do livro “Amores proibidos na história do Brasil, Maurício Oliveira, Ed. Contexto]

[http://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/1046667-leia-trecho-de-amores-proibidos-na-historia-do-brasil.shtml]

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Baita ciumeira (Rodolfo de Souza)

Baita ciumeira (Rodolfo de Souza - Diário do Grande ABC)

27/09/2010

O ciúme é um sentimento perverso, capaz de confundir o próprio ciumento

O ciúme é um sentimento perverso, capaz de confundir o próprio ciumento. Não são palavras de psicólogo, psiquiatra ou outro profissional habituado a lidar com gente doida. Perdão, doída. O diagnóstico parte, na verdade, de um observador de longa data, perplexo com a atitude do ser humano do sexo feminino, por exemplo, irritado, feroz, até violento, com a corriqueira viradinha de cabeça à passagem de um belo e insinuante corpo escultural.

É comum, inclusive, o estalo de um tapa a encher de sonoridade o ar, intenção clara de retornar o rosto à posição inicial. Beliscões silenciosos e pisadas escandalosas também são recursos utilizados por meninas de qualquer idade.

Certa vez presenciei uma cena que me encheu de consternação e revolta: uma garota pisou, com toda a força de sua raiva, o pé do namorado que desviara discretamente a atenção da conversa para um bumbum faceiro que transitava pelo local. Pude sentir na expressão de dor do rapaz o peso do salto alto. Agressão justificada porque, com toda a certeza, na intimidade, a fêmea em questão tinha seu pensamento todo voltado para o jovem e cocho mancebo, sem espaço para qualquer outro belo exemplar da espécie.

Coisas de mulher? Qual o quê. Macho que é macho, também, não permite que seu bem suspire fundo depois daquela vista d'olhos que o sexo oposto dá quando está diante de um sujeito sarado. É imperceptível aquele movimento ligeiro de olhar, sem mover a face. Mas o que denuncia mesmo é o bendito suspiro. Às vezes uma blusinha justa também auxilia no delato que enfurece o companheiro, como se em sua mente, da mesma forma, pairasse somente a imaculada figura de sua amada.

Hipocrisia desmesurada, pois, conveniências à parte, manifestações exageradas de ciúmes tendem a ruir o que poderia ser um bom relacionamento, tolerante e empático.

É natural que haja comprometimento de ambas as partes quando na relação prevalece o amor, por meio do qual naturalmente vem o respeito. A fidelidade, então, é só consequência, que não pode ser exigida. Se imposta, a união não tem razão de ser, inexiste.

A situação de constante vigilância com excesso no cuidado é fruto da insegurança da pessoa que não confia em si e entra sempre em pânico ao imaginar a outra em cama alheia. Rejeição difícil de suportar que por certo a torna ainda mais frágil. Afinal, são seres frágeis que não aprenderam que quem ama liberta, pois que a liberdade é essencial na vida e no amor.

Rodolfo de Souza nasceu e morou por 44 anos em Santo André, onde trabalhou no setor de logística de várias empresas e se formou professor. Há 8 anos reside em Peruíbe, Litoral Sul. E-mail para esta coluna: souza.rodolfo@hotmail.com.

[http://www.dgabc.com.br/Columnists/Posts/57/4666/baita-ciumeira.aspx]

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Parcerias (pesquisa)

Imagem: Editoria de Arte/Folhapress
Subtítulo da imagem: Pesquisas apontam disparidade entre número de parceiros que homens e mulheres afirmam ter tido

(...)
Mulheres são impelidas a ter menos parceiros ou a esconder a soma real para se valorizar: "A moral sexual é mais complexa do que outras questões práticas da igualdade entre sexos. Ainda hoje, a mulher que declara ter tido muitos homens não é respeitada", diz a antropóloga Mirian Goldenberg, da UFRJ.

Goldenberg pesquisou a quantidade de parceiros entre homens e mulheres (veja quadro). Ela diz ter se impressionado com a imprecisão das respostas masculinas: "Entre eles, 28% responderam 'mais de dez' ou 'muitas, perdi a conta'. Já elas sabiam exatamente com quantos foram para a cama, como se cada um fosse significativo".

(...)
Para perguntar a alguém com quantos já foi para a cama, o Datafolha usa formulários que o próprio entrevistado preenche, lacra e põe na urna sem se identificar. Para evitar inibição e mentira.

Mesmo assim, especialistas desconfiam que, como na mesa do bar, os homens inflem o número de parceiras e as mulheres escondam amantes no armário.

Segundo o último levantamento do Datafolha, de 2010, os brasileiros têm em média 20,3 parceiras durante a vida. A média das brasileiras é 3,9.

"Não dá para entender com quem eles tanto transam", brinca Dolores Aronovich, professora de literatura da Universidade Federal do Ceará e autora do blog feminista Escreva Lola Escreva. (...)

(...)
O psiquiatra Luiz Cuschnir, do Hospital das Clínicas de SP, diz que a contagem de parceiros pode indicar compulsão e falta de autoestima: "Pode ter a ver com uma competição entre mulheres para ver quem se sente superior".

(...)
trechos do texto “Blogueira que queria transar com cem homens diz que parou de contar” de JULIANA CUNHA | COLABORAÇÃO PARA A FOLHA | 24/11/2011 - 08h00, completo em:
[http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1010939-blogueira-que-queria-transar-com-cem-homens-diz-que-parou-de-contar.shtml]

sábado, 5 de novembro de 2011

Sexo em família II (incesto involuntário)

Noivos entram em choque ao descobrir que são irmãos

Do UOL Tabloide Em São Paulo | 04/11/2011 - 11h05

Eles estavam apaixonados e, depois de cinco anos de namoro, decidiram se casar. A vontade de juntar os trapinhos aumentou ao descobrirem que esperavam bebê.
No entanto, os sul-africanos (que não tiveram os nomes divulgados) não vão poder se casar. Eles descobriram que são irmãos.

No último sábado, as duas famílias se encontraram para as negociações do dote da noiva, prática ainda comum na África do Sul. Foi quando o pai do noivo e a mãe da noiva tomaram um choque.
Eles foram casados e se separaram em 1983 quando o homem descobriu que estava sendo traído. A garota, que tinha oito meses, foi morar com a mãe, em Pienaar. Já o menino, que tinha dois anos, foi ficar junto com o pai, em Bushbuckridge.

O casal entrou em choque ao descobrirem que são irmãos e decidiram se separar, pelo menos por enquanto. “Nós não conseguimos ainda pensar direito. Vamos tomar uma decisão por vez”, disse o noivo.
*Com informações do “Sowetan”
http://noticias.uol.com.br/tabloide/tabloideanas/2011/11/04/noivos-entram-em-choque-ao-descobrirem-que-sao-irmaos.jhtm


A informação também está disponível em:


segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Definitividades? (Rubem Alves) e complementação fática

Definitividades? (Rubem Alves)
 *****
(...) sabendo que nada é definitivo. Nem o casamento. Nem a profissão. E nem a própria vida... (...)

“Muito cedo para decidir” (Rubem Alves), texto extraído do livro "Estórias de quem gosta de ensinar - O fim dos Vestibulares", Ars Poetica, São Paulo, 1995, pág. 31.
[http://www.releituras.com/rubemalves_decidir.asp] - acesso: 31/out/2011

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“Eu esperava que esse casamento durasse para sempre”
Kim Kardashian, atriz, ao anunciar o fim de sua união com o jogador de basquete Joel Johnson - o casamento durou 72 dias. [Revista Istoé, edição 2191, de 09/nov/2011, seção “Semana”, p. 28]

domingo, 16 de outubro de 2011

Sexo em família I (incesto voluntário: entre irmãos / entre pai e filha)

Irmãos flagrados fazendo sexo em estação escapam de pena de prisão

14/10/2011 17h11 - Portal G1

Richard e Kirsty foram pegos por câmera de segurança em Motherwell. Ele pegou dois anos de condicional, e ela, um ano com aconselhamento.

Os irmãos britânicos Richard Finlayson, de 21 anos, e sua irmã Kirsty, de 18, que foram flagrados fazendo sexo na estação de trens de Motherwell, escaparam de receber sentenças de prisão.

Richard ficou em liberdade condicional por dois anos e terá de cumprir os termos previstos no Ato de Agressores Sexuais.

Já Kirsty pegou um ano de liberdade condicional e vai receber aconselhamento psicológico, tratamento contra uso de drogas e ajuda para conseguir emprego.

Kirsty, que tinha 17 anos quando ocorreu o caso, chegou a ser expulsa de casa no mês passado.

As cenas envolvendo Kirsty e Richard foram registradas pelas câmeras de segurança da estação no mês de junho. Eles confessaram.

O caso de incesto provocou indignação de vizinhos. "É repugnante", afirmou um morador.

"Isso mudou minha vida para sempre", disse Richard ao tabloide "The Sun". "Desejaria poder voltar no tempo."

[http://g1.globo.com/planeta-bizarro/noticia/2011/10/irmaos-flagrados-fazendo-sexo-em-estacao-escapam-de-pena-de-prisao.html]
*****
Veja também:
Pai e filha condenados por incesto reatam o romance e vão presos na Inglaterra: Pela retomada da relação proibida, Andrew foi condenado a dez meses de prisão
[http://www.meionorte.com/noticias/internacional/pai-e-filha-condenados-por-incesto-reatam-o-romance-e-vao-presos-na-inglaterra-140234.html]

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Das punições para a traição (Gwyneth Paltrow) e complementos

"Se morrer infeccionada por vírus fosse punição para traição, o mundo teria apenas umas três pessoas." (Gwyneth Paltrow, atriz, revelando que não condena a infidelidade)

[Revista Istoé, de 14/set/2011, p. 28 (seção "Semana")]

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"Pesquisa exclusiva revela que (quase) todo mundo já traiu" (na capa da revista VIP de outubro/2011, que traz Marjorie Estiano na capa)

[http://f5.folha.uol.com.br/celebridades/978073-marjorie-estiano-aparece-baixando-calcinha-em-revista.shtml] - acesso: 21/set/2011

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05/10/2011 - 00h00 | Secretárias e empresários são os profissionais que mais traem, segundo pesquisa

Da Redação | Em São Paulo (noticias Uol)
Uma pesquisa realizada com 5.250 usuários brasileiros do The Ohhtel -- site voltado para pessoas que desejam ter relacionamentos extraconjugais -- revelou que as secretárias e recepcionistas (21,3%) estão entre as profissionais que mais utilizam o serviço para se relacionar com outras pessoas comprometidas. Em seguida estão as funcionárias públicas (13,7%), donas de casa (12%), contadoras (10,5%) e enfermeiras (7,6%).

Entre os homens que mais “pulam a cerca” estão os empresários (15,2%), contadores (10,7%), programadores de computador (10,2%), engenheiros (9,8%) e advogados (7,2%).

No total, participaram do levantamento 2.879 homens e 2.371 mulheres em todo o país.


[http://noticias.uol.com.br/empregos/ultimas-noticias/2011/10/05/secretarias-e-empresarios-sao-os-profissionais-que-mais-traem-segundo-pesquisa.jhtm]

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

terça-feira, 24 de maio de 2011

Seu João (Drauzio Varella)

Seu João

Seu João me criava o problema de atrasar as demais consultas quando ia sozinho ao consultório.

Não que falasse muito (era um tipo reservado), nem que seu estado de saúde exigisse (a evolução da enfermidade era lenta), mas porque eu gostava de ouvi-lo. Tinha estatura baixa, rosto redondo, barba cerrada, um jeito caipira cativante de contar casos, e uma visão prática do mundo que lhe permitia ir com naturalidade à essência das questões, a partir de detalhes irrelevantes.

Uma vez disse, para justificar o hábito antigo de ver TV até altas horas:

- Há coisas que encantam o olhar do homem: montanha ao longe, fogo crepitante, água corrente, tela de televisão.

Quando a esposa vinha com ele, estranhamente seu João se transformava noutro homem; a consulta se restringia às queixas, ao exame clínico e às recomendações habituais.

Era notável o desconforto que a presença dela lhe trazia.

No final de uma dessas visitas, ela sugeriu que eu receitasse um antidepressivo ao marido:

- Há seis meses, desde que tomou conhecimento da doença, o comportamento dele mudou da água para o vinho. Passa o dia com os papéis na escrivaninha do quarto, sem trocar uma palavra comigo; à noite, passeia pelos canais de televisão com o controle remoto, sozinho, no escuro. Se vai ao banco ou vai buscar a neta na escola, só percebo quando escuto a porta bater. Pergunto qualquer coisa, ele responde sim ou não, e mais nada! Coisa mais rara é dizer uma frase com sujeito e predicado.

- Não é caso para antidepressivo, doutor - disse ele, quando a mulher terminou.

Na consulta seguinte voltou só. Perguntei se era verdade que seu comportamento se modificara tão radicalmente. Respondeu que sim. Antes conseguia manter com a esposa
um relacionamento cordial; conversavam, iam ao cinema e visitavam o filho e a nora para ver a neta, a paixão da vida dos avós. Dormiam e assistiam à tv em quartos separados, porque ele não tinha paciência com as novelas e, além disso, era notívago. Com a doença, entretanto, tudo havia mudado:

- Quando descobri que tinha câncer, peguei uma antipatia por ela que o senhor não pode imaginar. Só de ouvir a voz, já fico irritado!

Seu João contou que seus pais brigavam constantemente; as recordações da infância eram povoadas pela imagem do cenho carregado do pai e das lágrimas disfarçadas da mãe. Na morou várias moças, até encontrar uma com quem achou possível formar uma parceria harmoniosa e duradoura. Os primeiros quatro anos de convivência demonstraram a sabedoria da escolha; respeitavam-se, davam-se bem sexualmente, e gostavam de ir ao cinema e sair para dançar com os amigos. Quando o filho nasceu, seu João chorou de alegria e considerou realizado seu sonho de felicidade: a mulher amada, o primeiro filho e uma carreira promissora na empresa.

Na véspera do segundo aniversário do menino, seu João resolveu sair mais cedo do escritório para ajudar nos preparativos da festa. Encontrou a casa em silêncio.

O menino dormia no berço, e a porta do quarto do casal estava fechada. Pé ante pé para não perturbar o sono do filho nem incomodar a esposa cansada, afrouxou a gravata, tirou os sapatos e encostou-se no sofá da sala, com o jornal.

Não sabe quanto tempo cochilou até acordar com os gemidos que vinham do quarto. Nos minutos que levou para se convencer da realidade, reconheceu a voz da mulher e a do melhor amigo dele.

Calçou os sapatos e saiu sem fazer barulho. Andou pela cidade das quatro da tarde até o dia clarear. Quando voltou, encontrou a esposa, o cunhado e os sogros assustados; até no necrotério o tinham procurado. Não se justificou; limitou-se a pedir que não fizessem perguntas:

- Já chega o que passei!

Ao ficar a sós com a mulher, não foi preciso dar explicações. Ela caiu num choro convulsivo, pediu perdão pelo ato impensado e jurou fidelidade eterna; não podiam virar as costas a tudo o que haviam construído, por causa de um momento de fraqueza que não se repetiria jamais.

Continuaram casados, e nunca mais trocaram uma frase sobre o episódio. Com o tempo, as lembranças daquela tarde no sofá perderam a nitidez, e o relacionamento do casal voltou à normalidade cotidiana, mas num nível de felicidade bem inferior, segundo ele.

No dia em que recebeu do médico a notícia de que era portador de uma doença incurável, seu João entrou em casa e encontrou a esposa assistindo à TV, com o bordado no colo.

Naquele instante, estranhamente, a recordação da mulher com o amante ressurgiu com força:

- Contra minha vontade, caiu uma cortina pesada entre mim e ela. Sem querer, fiquei arrependido de ter suportado humilhação tão grande por tanto tempo.

- O senhor não consegue esquecer? Que importância pode ter nessa altura da vida um fato ocorrido há tantos anos?

- Não deveria ter nenhuma, mas a única coisa em que consigo pensar desde que soube do diagnóstico é: por que não fui embora naquele dia, há trinta e cinco anos atrás?

- E por que o senhor não vai agora?

- É tarde. É como naquele filme: o trem para Berlim já passou.

[Drauzio Varella, Por um fio, São Paulo, Cia das Letras, 2004, pp.?]

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Oswald, Pagu, Tarsila e Waldemar (Lia Zatz)

O Oswald era vinte anos mais velho que a Pagu, quer dizer, era homem feito, quando ela era ainda adolescente e normalista. Quando eles se conheceram, ele já tinha tido vários relacionamentos e estava casado com a pintora Tarsila do Amaral. (...) Pagu ficou íntima de Tarsila de Oswald, não faltava em uma reunião de sua casa. Os homens babavam por ela. Os que escreviam, faziam poemas para ela. Os que pintavam, faziam retratos dela. (...) Pagu estava com dezoito anos. Oswald, com trinta e oito. Tarsila, com quarenta e dois. (...) Era muita badalação para uma garota de dezoito anos, não era não Pagu? Como resistir aos olhos espichados do Oswald para o seu lado? Eles começaram a ter encontros secretos. E fizeram um diário juntos: escreviam bilhetes um pro outro, poemas, cartas. Oswald a chamava de Bebé, ela o chamava de Valdinho. Estavam apaixonados, ora se não estavam! Até que... Pagu ficou grávida! Do Oswald. Mulher solteira, grávida? De um homem casado? Amiga da mulher do homem casado? Naquela época? (...) “Se o lar de Tarsila vacila é pelo angu da Pagu” [piada-poema escrita por Oswald num guardanapo de restaurante]. Oswald convenceu um amigo e irmão de criação de Tarsila, um pintor chamado Waldemar Belisário, a se casar com a Pagu. Cerimônia simples em cartório. Tarsila e Oswald foram padrinhos do casamento e os noivos ganharam de presente um quadro da pintora. O casal partiu para a lua-de-mel. Deviam descer de carro até Santos e lá embarcar num navio para Paris. Isso é o que todos pensavam. Mas o plano de verdade era outro e já estava todo armado: no alto da serra, Oswald esperava-os em outro carro. Pagu seguiu com ele e o noivo voltou para São Paulo, sozinho. (...) Para deixar esfriar o escândalo, o casal sumiu por uns tempos. Viajaram. (...) Mas nada disso impediu a vida de Pagu com Oswald. Os dois estavam apaixonados e cheios de vontade de fazer coisas na vida. Foram morar juntos e celebraram um casamento de mentirinha. Sabe onde? No cemitério! Diante do túmulo da família do Oswald. Ele escreveu assim, no diário dos dois: “1930 - 5 de janeiro - Nesta data contrataram casamento a jovem amorosa Patrícia Galvão e o crápula forte Oswald de Andrade. Foi diante do túmulo do Cemitério da Consolação, à Rua 17, nº 17, que assumiram o heróico compromisso. Na luta imensa que sustentam pela vitória da poesia e do estômago, foi o grande passo prenunciador, foi o desafio máximo. Depois se retrataram diante de uma igreja. Cumpriu-se o milagre. Agora, sim, o mundo pode desabar.” Logo depois, a Pagu perdeu o bebê, mas engravidou de novo. O filho deles nasceu em setembro e foi chamado de Rudá, que nas lendas indígenas quer dizer o deus do amor. (...)

[Lia Zatz, PAGU, São Paulo, Instituto Callis, 2005, il. (A luta de cada um), - cópia/compilação/adaptação das páginas 29 a 42]