"Vem, Noite antiqüíssima e idêntica,
Noite Rainha nascida destronada,
Noite igual por dentro ao silêncio, Noite

Com as estrelas lantejoulas rápidas
No teu vestido franjado de Infinito. (...) "
[Álvaro de Campos (F. Pessoa), Fragmento de Ode I, in: "Fernando Pessoa: poesia", por Adolfo Casais Monteiro, 10ª ed., Rio de Janeiro, Agir, 1989, p. 76 (col. Nossos Clássicos)]

"(...) noites como esta, em que já não me será dado viver."
[Jostein Gaarder, "A garota das laranjas", Trad. Luiz Antônio de Araújo, São Paulo, Companhia das Letras, 2005, p. 127 (citação possivelmente de outrem, constante também em alguma página anterior, provavelmente)]
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quarta-feira, 7 de março de 2012

'Meu nome é Sarah, e um motoqueiro acaba de cuspir na minha cara' (Sarah Scardelatto)

'Meu nome é Sarah, e um motoqueiro acaba de cuspir na minha cara' (Sarah Scardelatto)
[Texto divulgado no blog www.paulopes.com.br]

da leitora Sarah Scardelatto

Oi, boa noite, meu nome é Sarah, e um motoqueiro acaba de cuspir na minha cara. 

Por quê? 

Porque eu não aceitei uma cantada. 

Me desculpe, eu estava saindo da faculdade às 22h30, após trabalhar o dia todo, fazer a viagem de ida e volta entre SCS e Jundiaí, usando jeans, camisa larga e tênis, então talvez não estivesse no humor certo pra ouvir um assovio e me sentir a última bolacha do pacote. Me desculpe, mas eu reagi. 

Eu mostrei meu dedo médio da mão direita. 

O motoqueiro foi embora, mas voltou pra tirar satisfação. Me chamou de vagabunda e cuspiu em mim. 

Me desculpe, devo ser uma histérica, mal comida, algum outro adjetivo que nós, mulheres que não aceitam uma cantada na rua, costumam receber. 

Tenho mesmo que ser humilhada em público, na calçada da Escola de Engenharia Mauá, na frente de outras dezenas de pessoas. Tenho que receber uma escarrada no rosto por não ter, passivamente, aceitado o assovio de um estranho qualquer. 

Eu sou uma mulher, não tenho o direito de discordar. 

Piuf. 

Me desculpe, mas eu não aceitarei esse tipo de coisa, mesmo com a ameaça de violência pairando sobre mim. Não pensarei que posso tomar um tiro, uma surra, ter um braço quebrado ou ser morta pelo simples fato que não aceitei uma cantada. 

Não sou um pedaço de carne, uma peça em exposição para ter que ouvir qualquer pornografia que se passe na mente de um desconhecido. 

Sou uma MULHER, trabalhadora, estudante, filha, irmã, como todas as outras. Me sustento, ajudo quem posso, reciclo meu lixo. Não mereço passar pelo humilhante expediente de ser cantada na rua, por um homem qualquer. 

Me defenderei como puder, enquanto puder. Minha dignidade não está aí para ser pisada por um motoqueiro ignorante. Não saio na rua para ser humilhada gratuitamente, só por não ter um pênis entre as pernas. Se passar por um episódio mais grave, farei questão de aparecer o máximo possível, nem que para isso tenha que convocar uma ucraniana de seios nus para fazer alarde comigo na av. Paulista. 

O problema da sociedade é que ensinamos as mulheres 'não seja estuprada', ao invés de ensinar para os homens 'não estuprem'.

Leia mais em http://www.paulopes.com.br/2012/03/meu-nome-e-sarah-e-um-motoqueiro-acaba.html#ixzz1oRX2nwZ6 
Reprodução deste texto só poderá ser feita com o crédito e link da origem. 

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Orgasmo passo a passo (Laura Müller - Revista Dia-a-dia)


Laura Müller é psicóloga clínica, especialista em sexualidade e comunicadora social. É autora dos livros "Altos papos sobre sexo - dos 12 aos 80 anos" (Ed. Globo, 2009) e "500 perguntas sobre sexo do adolescente". www.lauramuller.com.br ou twitter: @laura_Muller.

[cf. Revista DIA-A-DIA (do Diário do Grande ABC), Ano 4 - Edição 44, Santo André, Dezembro/2011, p. 64]



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Passo a passo para o orgasmo
Laura Müller
Será que existe técnica, curso ou fórmula mágica para a mulher chegar ao orgasmo? Mais do que isso: será que algumas vêm ao mundo com defeito de fábrica e, por isso, não chegam lá? E as que conseguem a proeza de ter um, dois ou mais orgasmos numa mesma transa? O que fizeram para conseguir tamanha satisfação?

Vamos a essas respostas. Em primeiro lugar, não, ninguém nasce com esse tipo de defeito de fábrica, que impede de chegar ao orgasmo. Para quem consegue chegar lá, é tudo questão de descoberta, aprendizagem e treino. E não precisa de nenhuma técnica, curso ou fórmula especial para isso. Basta estar atenta a si mesma e aos seus mecanismos de prazer. 

Ou seja, ficar de olho no próprio corpo e suas sensações, além de suas emoções, sentimentos e pensamentos em relação ao sexo e ao encontro amoroso. Na verdade, isso é bastante coisa a ser feita. E nem sempre é tarefa fácil. 

Para simplificar, vamos ao passo a passo do que é preciso levar em conta para descobrir o caminho ao tão esperado orgasmo:

* Sobre o seu corpo – O principal órgão de prazer feminino é o clitóris. Toques nessa região, ou o sexo oral, costumam levar mais facilmente ao orgasmo do que outras práticas sexuais, como a penetração vaginal ou anal. 

* Sobre masturbação – Um terço das mulheres tem vergonha de se masturbar. Ou acha isso errado de alguma forma. No fundo, não é. A masturbação é prática saudável, dizem em unanimidade os sexólogos, e um jeito de a mulher conhecer melhor os seus mecanismos de prazer. 

* Sobre brinquedos eróticos  – Eles vibram em variadas velocidades e intensidades, além de hoje já apresentarem formatos cada vez mais divertidos e curiosos. Por que podem ser interessantes? Porque a vibração no clitóris pode levar a mulher rapidamente ao orgasmo. Mas é preciso se sentir à vontade para usar tais brinquedos. Se você não acha legal ou tem algum preconceito em relação a esses acessórios, então, não vale usar. 

* Sobre o parceiro ou a parceira  – Independentemente de você ser hetero ou homossexual, a sua dificuldade ou facilidade para chegar ao orgasmo não está nas mãos do parceiro ou da parceira. Quem precisa descobrir os próprios mecanismos de prazer é você. A pessoa que está ao seu lado apenas complementa essa história. 

* Sobre ficar à vontade na cama  – Para sentir mais prazer e chegar ao orgasmo, é importante ficar o mais à vontade possível com a pessoa que está com você. Assim, fica mais fácil dizer ou mostrar o que você gosta ou não na hora do sexo. 

* Sobre o uso de camisinha  – Esse acessório precisa fazer parte de vez do kit erótico do casal. Isso deixa a mulher mais segura para transar, sem medo de contrair alguma doença. Assim, o prazer e o orgasmo ganham mais intensidade. Aposte nisso!

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Mulheres israelenses em apoio a Aliaa Elmadhy (protesto)


Grupo de israelenses posam nuas em apoio a blogueira egípcia Aliaa Elmadhy, que postou foto nua para protestar pela falta de liberdade de expressão em seu país
[http://noticias.uol.com.br/album/111120_album.jhtm#fotoNav=16] - acesso: 21/nov/2011

Aliaa Elmadhy (protesto)

Aliaa colocou esta fotografia nas redes sociais a poucas semanas das primeiras eleições democráticas da história do Egipto, que se realizam a 28 de Novembro.
De acordo com a edição online do El Mundo, Aliaa Elmadhy, uma jovem egípcia que se auto-intitula "secular, liberal, feminista, vegetariana e independente", difundiu através do seu blogue e páginas do Facebbok e Twitter uma fotografia onde surge completamente nua - apenas com uns sapatos vermelhos e umas meias. Tudo com dois grandes objectivos: a luta pela liberdade no Egipto e contra a discriminação das mulheres.
Mas esta sua ousadia já mereceu fortes críticas de vários quadrantes da sociedade egípcia. Mesmo os mais liberais não viram com bons olhos esta "campanha", já que a nudez é um tema tabu no país.
"Tenho o direito de viver livremente em qualquer sítio. Sinto-me feliz e realizada quando sei que sou realmente livre. Os rectângulos amarelos nos meus olhos, boca e orgão sexual significam a censura do nosso conhecimento, expressão e sexualidade", referiu.
Esta não é a primeira vez que Aliaa cria polémica - foi ela também a autora da campanha via Facebook que defendia que os homens também deviam usar véu, uma forma de protesto contra o uso do "hiyab" por parte das mulheres.
[http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=2122309&seccao=%C1frica] - acesso: 23/nov/2011