"Vem, Noite antiqüíssima e idêntica,
Noite Rainha nascida destronada,
Noite igual por dentro ao silêncio, Noite

Com as estrelas lantejoulas rápidas
No teu vestido franjado de Infinito. (...) "
[Álvaro de Campos (F. Pessoa), Fragmento de Ode I, in: "Fernando Pessoa: poesia", por Adolfo Casais Monteiro, 10ª ed., Rio de Janeiro, Agir, 1989, p. 76 (col. Nossos Clássicos)]

"(...) noites como esta, em que já não me será dado viver."
[Jostein Gaarder, "A garota das laranjas", Trad. Luiz Antônio de Araújo, São Paulo, Companhia das Letras, 2005, p. 127 (citação possivelmente de outrem, constante também em alguma página anterior, provavelmente)]
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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Leitura para ficar esperto (revista Superinteressante)


Ciência Maluca
Quer ficar esperto? Leia um livro que não faz sentido
por Nina Weingrill

Psicólogos americanos pediram a voluntários que lessem Um Médico Rural, de Franz Kafka - um conto surrealista, com algumas passagens aparentemente sem sentido. Outro grupo leu uma versão reescrita do livro, que fazia sentido. Depois, todo mundo fez uma prova de gramática - e quem tinha lido a versão sem pé nem cabeça se saiu melhor. Possível explicação: o nonsense motiva o cérebro, que fica mais alerta.
[http://super.abril.com.br/ciencia/quer-ficar-esperto-leia-livro-nao-faz-sentido-614971.shtml]
[versão impressa: Revista Superinteressante, janeiro/2010, p. 28 (seção Supernovas)]

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Ler livros pela segunda vez pode ser terapêutico (revista Galileu)

Ler livros pela segunda vez pode ser terapêutico

A dica também vale para filmes assistidos mais de uma vez.

por Redação Galileu (Revista Galileu)
Quem lê o mesmo livro ou assiste ao mesmo filme mais de uma vez já tem uma desculpa para dar aos familiares e amigos. A mania não tem nada a ver com vício ou comportamento obsessivo, mas é um esforço consciente para encontrar camadas de significado mais profundas no material e refletir sobre o próprio amadurecimento.
Esse é o resultado de uma pesquisa liderada por Cristel Russel, professor da American University, nos Estados Unidos. Ele entrevistou 23 pessoas para identificar as razões para o que chamou de “re-consumo” de um material e descobriu que o comportamento não é uma tentativa de reviver o passado, mas uma busca por significado, que pode ter grande valor emocional.
O re-consumo pode, inclusive, servir como uma espécie de terapia, uma vez que permite que a pessoa analise como sua interpretação do livro ou filme mudou com o decorrer do tempo. Segundo os cientistas, isso pode servir de contraste entre o eu atual e o eu do passado. Eles citam como exemplo o caso de um participante do estudo. Pastor evangélico, ele releu a Bíblia inúmeras vezes. De acordo com sua idade, interpretava passagens de modo diferente – um sinal de crescimento.
O resultado da pesquisa, publicada na revista Journal of Consumer Research, pode ser usado pelo mercado de livros. Segundo Russel, os vendedores sempre tentam trazer experiências novas e frescas, mas as velhas experiências também podem ser repetidas de modo a abrir novas perspectivas.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Livros, leitores e antileitores (Roberto Damatta) - excertos

Livros, leitores e antileitores (Roberto Damatta) - excertos
 (...)
Tal como as pessoas, os títulos dos livros enganam leitores, bibliotecários e autores. Um sujeito bem vestido e falante, quando devidamente aberto, revela-se uma toupeira ou um Evereste de empáfia. Um nobre ministro surge como um chefe de quadrilha feito por ONGs que desviam dinheiro público para um partido cujo nome remete a abnegados e virtuosos.
Meu colega e amigo, o cientista político Eduardo Raposo, ouviu de seu primo Lobinho a seguinte história: um sujeito chega a uma biblioteca e pede um livro de botânica. O funcionário prontamente lhe apresenta com um sorriso alvar Raízes do Brasil.
(...)
Na esteira dos antileitores, voltei ao Raposo e ele relata que seu primo Lobinho havia feito uma grande descoberta. Na tal biblioteca onde Raízes do Brasil está na estante de botânica, O Idiota surge na de psicologia, A Interpretação dos Sonhos, na de esoterismo; Sobrados e Mucambos está catalogado como engenharia e Montanha Mágica, como astrologia. Já Memórias Póstumas de Brás Cubas entra como kardecismo; Lolita, na lista de livros para moças; A Guerra das Salamandras, em história militar; Cem Anos de Solidão, na prateleira de geriatria; O Cru e o Cozido, na de culinária, e Hamlet, na de receitas inglesas. Já Madame Bovary surge na de pornografia; Os Maias, na de etnologia centro-americana; As Neves do Kilimanjaro, no setor de clima e ecologia; as Viagens de Gulliver, no de turismo; O Poder e a Glória, no de política; e, por fim e para encurtar uma infindável história, Carnavais, Malandros e Heróis, inclassificável por não ser lido, é listado tanto nas obras devotadas às escolas de samba, quanto está na prateleira de fraudes e contravenções.
Tentei interpelar a diretora, mas desisti. Ela é "blindada"!

[http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,livros-leitores-e-antileitores-,796454,0.htm]

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Os bons livros

"Lê em primeiro lugar os bons livros, ou muito provavelmente não terás a oportunidade de os ler."

[(Henry David Thoreau) http://www.sitequente.com/frases/livros.html]

domingo, 5 de setembro de 2010

Literatura (Magaly García Ramis)

"Nas culturas ocidentais tradicionais as crianças são educadas com conceitos absolutos sobre o que 'é bom' e o que 'é mau'. Essa atitude, justificada pelos educadores a partir da premissa de que as crianças não são capazes de compreender o que é ambíguo ou relativo, prepara mal as pessoas para a vida, que é, no melhor dos casos, um processo sem fronteiras delimitadas, em que tudo pode doer, tudo pode enaltecer e tudo pode rebaixar o ser humano. Diante dessa formação, são os textos literários – orais, escritos, visuais – que oferecem aos jovens uma visão mais adequada de si mesmos, de seu contexto emocional, social, cultural e político. A literatura, apesar de ser uma apropriação da realidade, uma reinvenção do mundo, é mais certeira e nutre mais do que a educação formal. Por isso, ela desafia os parâmetros das sociedades organizadas e é, ao mesmo tempo, um espelho, uma forja e uma nave. E para quem nasceu ilha, a nave, sobretudo, é imprescindível.”

[Magaly García RAMIS, in: 16 ou 18 Contos latino-americanos]