"Vem, Noite antiqüíssima e idêntica,
Noite Rainha nascida destronada,
Noite igual por dentro ao silêncio, Noite

Com as estrelas lantejoulas rápidas
No teu vestido franjado de Infinito. (...) "
[Álvaro de Campos (F. Pessoa), Fragmento de Ode I, in: "Fernando Pessoa: poesia", por Adolfo Casais Monteiro, 10ª ed., Rio de Janeiro, Agir, 1989, p. 76 (col. Nossos Clássicos)]

"(...) noites como esta, em que já não me será dado viver."
[Jostein Gaarder, "A garota das laranjas", Trad. Luiz Antônio de Araújo, São Paulo, Companhia das Letras, 2005, p. 127 (citação possivelmente de outrem, constante também em alguma página anterior, provavelmente)]
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segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Professora Rosalía


Professora Rosalia Ap. L. P.

Afastou-se no primeiro semestre de 2011 para tratamento, retornando já próximo ao encerramento do ano letivo.

Em 2012 atribui-se-lhe uma sala de 3ª série com menos alunos que a média. Iniciou com garra e vontade, não perdia um horário de biblioteca às segundas-feiras. Como eram poucos os alunos e todos estavam devolvendo no prazo, combinamos empréstimos semanais, o que até hoje persiste com a nova professora.

Indiquei-lhe ainda no 1º semestre de 2012 o livro "A garota das laranjas". Em tese era professora de estilo tradicional. Em 2010 nosso contato era apenas verbal, após seu retorno (final de 2011), fazíamos questão de nos abraçarmos quando nos víamos.

Na semana que antecedeu à sua internação final, encontramo-nos no corredor e me disse ela: "fica com Deus, viu, F..." Foi então ao encontro com o barqueiro ainda em maio/2012.

A mesa da professora Rosalía foi trazida para o pátio com um buquê de flores em cima. Foi feito um minuto de silêncio na entrada dos alunos, de manhã e à tarde. Tocou-se uma música apropriada ao momento de reflexão.

Numa segunda-feira posterior aos fatos a aluna Tayssa me confidenciou próximo à estação de trabalho: "eu quero a professora Rosalía".

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Memória do que não aconteceu (Revista Superinteressante)

Memoria - Parte 3 - O que nunca aconteceu: Boa parte das suas lembranças é falsa. Jamais aconteceu. Não passa de mentiras inventadas pelo seu cérebro. Saiba por que lembrar é imaginar, e imaginar é distorcer

Gisela Blanco (Revista Superinteressante – abril/2009

No início dos anos 80, uma série de crimes chocou os EUA. Dezenas de mulheres começaram a relatar abusos sexuais sofridos na infância. Essas lembranças sempre afloravam no consultório de algum psicólogo, depois que as moças tinham passado por sessões de terapia com técnicas de hipnose e regressão. O FBI resolveu investigar o caso e descobriu que os abusos eram falsas memórias, que haviam sido acidentalmente induzidas por psicólogos durante sessões de hipnose. Além de acusar outras pessoas, a sua memória também pode se voltar contra você mesmo. Foi o caso do americano Paul Ingram, acusado de abuso sexual pelas filhas de 18 e 22 anos. Ele negou tudo. Mas, depois de ser indagado várias vezes sobre o assunto, começou a dizer que, sim, se recordava de ter estuprado as garotas. Aí o psicólogo Richard Ofshe, especializado em memórias falsas, resolveu testá-lo: elaborou uma série de incidentes fictícios, sobre os quais conversou com Ingram. Ele se lembrou de todos. Conclusão? Paul não estava lembrando, e sim imaginando, as cenas.

Mas nem é preciso de crimes ou sessões de hipnose para colocar nossas memórias em xeque. Imagine acordar certo dia e descobrir que parte das suas lembranças é pura imaginação. Isso porque a memória não é um registro da realidade - é uma interpretação construída pela mente. O nosso cérebro inventa o mundo, das cores que a gente vê às experiências que a gente vive. E edita essas informações antes de gravá-las, explica o psicólogo cognitivo Martin Conway, da Universidade de Leeds. Cientistas da Universidade Harvard pediram a voluntários que se lembrassem de uma festa em que tinham estado. Em seguida, eles deviam imaginar uma festa que ainda não havia acontecido. Os pesquisadores monitoraram as cobaias durante todo o experimento e descobriram que, nos dois exercícios, sua atividade cerebral foi praticamente a mesma. Ou seja: os mecanismos que usamos para acessar nossas memórias são os mesmos que usamos para imaginar as coisas. Uma pessoa pode ter lembranças erradas ao ler o que está gravado corretamente na sua memória, explica Daniel Schacter, psicólogo da Universidade Harvard e autor de vários livros sobre memória.

Todos nós temos lembranças falsas ou distorcidas. Tente se lembrar de algum evento que lhe aconteceu no ano passado e responda: quem estava lá? Quais eram os nomes das pessoas? Que roupas vestiam? Como estava o clima no dia? Depois, faça essas mesmas perguntas a outra pessoa que viveu o mesmo evento. As respostas dificilmente vão coincidir. Vocês podem até se lembrar do principal, mas todo o resto será distorcido - com direito a várias informações criadas pelo cérebro. Já que a memória e a imaginação usam os mesmos mecanismos, a mente não vê problema em dar uma inventadinha para completar as lacunas.

Essa tendência é tão forte que a Justiça possui artifícios para se defender disso, e ver se os relatos de testemunhas estão contaminados pela imaginação. Além de propor situações que não aconteceram (como no caso do americano Paul Ingram), os interrogadores evitam perguntas indutivas ("ele estava usando um boné, certo?") ou que envolvam raciocínio negativo ("isso não está certo, né?"), pois elas acabam levando o cérebro a distorcer as memórias. Mas não há uma maneira de determinar, cientificamente, se uma lembrança é real. Nem mesmo o detector de mentiras consegue desmascarar falsas memórias, e por um motivo simples. Sabe aquela máxima que diz: uma coisa não é mentira quando você acredita nela? Pois é.

Apesar de tudo isso, é difícil imaginar uma sociedade que não acreditasse na memória das pessoas. Não existiria verdade nem realidade coletiva, pois cada indivíduo viveria isolado em seu próprio mundo de lembranças. "A crença na memória é fundamental para várias instituições da sociedade, como a Justiça e as escolas", afirma Schacter. Ainda bem. Pois, no futuro, nossas memórias serão totalmente diferentes.

Para saber mais: The Seven Sins Of Memory, Daniel Schacter, Houghton Mifflin Books, 2001.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Entenda por que os seres humanos jamais abandonam suas crenças (Revista Galileu)

Entenda por que os seres humanos jamais abandonam suas crenças

Alguns valores ficam armazenados em uma região distinta do cérebro
por Redação Galileu
Se você é daqueles que não abre mão de suas crenças por nada, fique sabendo que é mais culpa do seu cérebro do que da educação que você recebeu. Um novo estudo descobriu que algumas informações não abandonam nossa cabeça, nem por dinheiro.

Por mais que as pessoas estejam preparadas para adaptar seus pensamentos aos de outras pessoas, existe um conjunto de valores que elas não abandonam jamais. Isso acontece porque aquilo que chamamos de crença - informações geralmente ligadas à religião e identidade - fica armazenado em uma parte separada do cérebro, usada para distinguir o certo e o errado.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores acompanharam imagens do cérebro de voluntários, enquanto estes eram persuadidos a mudarem crenças previamente declaradas.

Assim, puderam notar que quando as pessoas aceitavam, por dinheiro, mudar declarações do tipo “Eu bebo chá”, o mesmo não acontecia quando o assunto era relacionado a ideias políticas e ideológicas, do tipo“sou a favor do casamento gay”.
As imagens cerebrais mostraram que crenças mais mundanas ficam associadas com sistemas de recompensa, enquanto valores considerados sagrados provocam a ativação de sistemas neurais associados com erros e acertos. 

Os valores sagrados variaram de pessoa para pessoa, de acordo com as preferências e experiências passadas e registradas pelo cérebro, a pesquisa mostrou que os temas mais comuns de crenças estavam relacionados à religião, esporte e identidade.
http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI290968-17770,00-ENTENDA+POR+QUE+OS+SERES+HUMANOS+JAMAIS+ABANDONAM+SUAS+CRENCAS.html

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Tipos de memória (Revista Superinteressante)

Você tem memória para tudo. No seu cérebro, hipocampo e amídala coordenam 5 jeitos de gravar informações:

1. MEMÓRIA PROCESSUAL
É a memória que dá novas habilidades ao corpo, como andar de bicicleta e dirigir. É tão simples que até os invertebrados têm.

2. MEMÓRIA EPISÓDICA
Os acontecimentos da sua vida, como o primeiro beijo, uma viagem ou o dia do seu casamento, fazem parte desta memória.

3. MEMÓRIA VISUAL
Serve para registrar rostos, formas de objetos e lugares onde você esteve. É graças a ela que você pensa na imagem de um cachorro quando alguém diz "cachorro".

4. MEMÓRIA TOPOCINÉTICA
É o seu GPS natural. Registra seus movimentos e a posição do corpo no espaço. Você sabe o caminho de casa e memoriza instruções de direção por causa dela.

5. MEMÓRIA SEMÂNTICA
O que você aprendeu na escola, as palavras, os raciocínios e o sentido das coisas são gravados por ela. Geralmente exige que as informações sejam repetidas várias vezes.


[http://super.abril.com.br/ciencia/teste-sua-memoria-conteudo-extra-651139.shtml]