O Oswald era vinte anos mais velho que a Pagu, quer dizer, era homem feito, quando ela era ainda adolescente e normalista. Quando eles se conheceram, ele já tinha tido vários relacionamentos e estava casado com a pintora Tarsila do Amaral. (...) Pagu ficou íntima de Tarsila de Oswald, não faltava em uma reunião de sua casa. Os homens babavam por ela. Os que escreviam, faziam poemas para ela. Os que pintavam, faziam retratos dela. (...) Pagu estava com dezoito anos. Oswald, com trinta e oito. Tarsila, com quarenta e dois. (...) Era muita badalação para uma garota de dezoito anos, não era não Pagu? Como resistir aos olhos espichados do Oswald para o seu lado? Eles começaram a ter encontros secretos. E fizeram um diário juntos: escreviam bilhetes um pro outro, poemas, cartas. Oswald a chamava de Bebé, ela o chamava de Valdinho. Estavam apaixonados, ora se não estavam! Até que... Pagu ficou grávida! Do Oswald. Mulher solteira, grávida? De um homem casado? Amiga da mulher do homem casado? Naquela época? (...) “Se o lar de Tarsila vacila é pelo angu da Pagu” [piada-poema escrita por Oswald num guardanapo de restaurante]. Oswald convenceu um amigo e irmão de criação de Tarsila, um pintor chamado Waldemar Belisário, a se casar com a Pagu. Cerimônia simples em cartório. Tarsila e Oswald foram padrinhos do casamento e os noivos ganharam de presente um quadro da pintora. O casal partiu para a lua-de-mel. Deviam descer de carro até Santos e lá embarcar num navio para Paris. Isso é o que todos pensavam. Mas o plano de verdade era outro e já estava todo armado: no alto da serra, Oswald esperava-os em outro carro. Pagu seguiu com ele e o noivo voltou para São Paulo, sozinho. (...) Para deixar esfriar o escândalo, o casal sumiu por uns tempos. Viajaram. (...) Mas nada disso impediu a vida de Pagu com Oswald. Os dois estavam apaixonados e cheios de vontade de fazer coisas na vida. Foram morar juntos e celebraram um casamento de mentirinha. Sabe onde? No cemitério! Diante do túmulo da família do Oswald. Ele escreveu assim, no diário dos dois: “1930 - 5 de janeiro - Nesta data contrataram casamento a jovem amorosa Patrícia Galvão e o crápula forte Oswald de Andrade. Foi diante do túmulo do Cemitério da Consolação, à Rua 17, nº 17, que assumiram o heróico compromisso. Na luta imensa que sustentam pela vitória da poesia e do estômago, foi o grande passo prenunciador, foi o desafio máximo. Depois se retrataram diante de uma igreja. Cumpriu-se o milagre. Agora, sim, o mundo pode desabar.” Logo depois, a Pagu perdeu o bebê, mas engravidou de novo. O filho deles nasceu em setembro e foi chamado de Rudá, que nas lendas indígenas quer dizer o deus do amor. (...)
[Lia Zatz, PAGU, São Paulo, Instituto Callis, 2005, il. (A luta de cada um), - cópia/compilação/adaptação das páginas 29 a 42]
retratos de memória, frases diversas, fotos, ilustrações, coisas sem importância alguma & variedades de todo o gênero
"Vem, Noite antiqüíssima e idêntica,
Noite Rainha nascida destronada,
Noite igual por dentro ao silêncio, Noite
Com as estrelas lantejoulas rápidas
No teu vestido franjado de Infinito. (...) "
[Álvaro de Campos (F. Pessoa), Fragmento de Ode I, in: "Fernando Pessoa: poesia", por Adolfo Casais Monteiro, 10ª ed., Rio de Janeiro, Agir, 1989, p. 76 (col. Nossos Clássicos)]
"(...) noites como esta, em que já não me será dado viver."
[Jostein Gaarder, "A garota das laranjas", Trad. Luiz Antônio de Araújo, São Paulo, Companhia das Letras, 2005, p. 127 (citação possivelmente de outrem, constante também em alguma página anterior, provavelmente)]
_____________________________________________________________________________________________________
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário