“A OAB-SP também fez críticas a declarações do promotor [Maurício Lopes - promotor Eleitoral]. Ele teria dito que ‘advogado é sórdido’, em referência ao profissional que defende Tiririca, Ricardo Vita Porto. A resposta da OAB veio em nota de repúdio.”
[Folha de S.Paulo, 26/out/2010, Caderno Especial 1 “Eleições 2010”, p. 9].
A expressão foi dita em declaração/entrevista do promotor ao Jornal Correio Braziliense, quando comentava decisão do advogado de entregar a defesa somente dez minutos antes do final do prazo legal.
[cf. http://www1.folha.uol.com.br/poder/820138-justica-admite-fazer-teste-de-alfabetizacao-com-tiririca-e-decreta-sigilo-em-processo.shtml - acesso: 27/out/2010]
Em princípio parece exagerada a afirmação do promotor, afinal prazo é prazo, definido em lei e, sendo o protocolo feito dentro do prazo, não há o que se discutir. É ato que pertence ao direito de defesa, remetendo-nos aos princípios processuais constitucionais. Ademais, e se o promotor estivesse na condição de advogado do Tiririca, talvez não vislumbrasse sordidez alguma no ato (tudo depende da situação em que se encontra).
Por outro lado, a sordidez, que pode também, além de outros, ter o sentido de infâmia, torpeza [cf. Aurélio Júnior: dicionário escolar da língua portuguesa], não seria talvez característica, particularidade, qualidade de muitos dos nossos atos (atos humanos)? Reflitamos. Quem nunca cometeu um ato aparentemente regular ou “um pouquinho” irregular, que, visto por quem olha de fora de nós mesmos, não representaria toda nossa sordidez moral? (Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro que atire a pedra contra - João, 8:7).
A constituição veda a eleição de analfabetos(art. 14, § 4º, CF). Não votaria no Tiririca, mas pessoalmente sou a favor da sua eleição. Imagino que o ato de elegê-lo seja uma manifestação absolutamente democrática (vontade da maioria). Há diversas formas de o sujeito interpretar o mundo, a alfabetização/leitura é apenas uma delas. Vejamos, tanto não se debateu/questionou o fato de elegermos um presidente da república que, conforme se comentava, “não estudou”? E não temos índices recordes de aprovação à gestão após oito anos de governo (83%, segundo o Datafolha - vide abaixo)?
[http://www1.folha.uol.com.br/poder/820667-com-83-aprovacao-ao-governo-lula-bate-recorde-historico-mostra-datafolha.shtml - acesso: 27/out/2010]
Gosto de pensar que, nesse período em que se arrasta o processo, o Tiririca contratou um excelente professor, melhor seria uma professora [busca de inspiração], e está se alfabetizando, “devorando” cartilhas, treinando no caderno de caligrafia e estudando como um louco (há males que vem para bem), e quem sabe, daqui a alguns meses/anos estará, em busca de si mesmo, interessando-se talvez por Filosofia. Ao final, para surpresa de todos, por meio de comovedor discurso - cuja última frase seja "vamos estudar" - transmitido ao vivo em vários canais de TV aberta, renunciará ao mandato.
***
(em termos):
O Tiririca foi diplomado e está atuando no Congresso Nacional.
Para preservar a idéia, não vou apagar o que já escrevi. Todavia quero agora (maio/2011) acrescentar uma observação. Obtive informação a respeito do ora nobre Deputado, que é a seguinte: após a absolvição do então artista/cantor por conta do processo referente à música "Veja os cabelos dela" (em tese, "racista"), a esposa se separou dele depois de sofrer uma surra impiedosa que deixou seu corpo cheio de hematomas.
[cf. Edson Borges, Carlos Alberto Medeiros e Jacques d'Adesky, "Racismo, preconceito e intolerância", 5ª ed., São Paulo, Atual, 2002, (Espaço & Debate) p. 65]
retratos de memória, frases diversas, fotos, ilustrações, coisas sem importância alguma & variedades de todo o gênero
"Vem, Noite antiqüíssima e idêntica,
Noite Rainha nascida destronada,
Noite igual por dentro ao silêncio, Noite
Com as estrelas lantejoulas rápidas
No teu vestido franjado de Infinito. (...) "
[Álvaro de Campos (F. Pessoa), Fragmento de Ode I, in: "Fernando Pessoa: poesia", por Adolfo Casais Monteiro, 10ª ed., Rio de Janeiro, Agir, 1989, p. 76 (col. Nossos Clássicos)]
"(...) noites como esta, em que já não me será dado viver."
[Jostein Gaarder, "A garota das laranjas", Trad. Luiz Antônio de Araújo, São Paulo, Companhia das Letras, 2005, p. 127 (citação possivelmente de outrem, constante também em alguma página anterior, provavelmente)]
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